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Setor elétrico: expansão do mercado livre enfrenta gargalo e alta de preços

Setor elétrico: expansão do mercado livre enfrenta gargalo e alta de preços

Setor elétrico: expansão do mercado livre enfrenta gargalo e alta de preços

Setor elétrico: desafios na expansão do mercado livre e aumento de preços

O setor elétrico brasileiro está passando por um momento de contrastes. Depois de um ano de 2025 marcado pela significativa expansão do mercado livre, com a migração de 21.707 novos consumidores para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), o início de 2026 apresenta um cenário mais cauteloso.

A abertura do mercado para consumidores do Grupo A, de alta tensão e menor demanda contratada, resultou em novas adesões, porém agora enfrenta desafios como os altos preços de energia no Mercado Livre, limitações na infraestrutura de transmissão e incertezas regulatórias. Esses fatores estão impactando toda a cadeia do setor, desde pequenos comércios até grandes empresas de geração.

O freio nas migrações e o impacto do PLD

O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que influencia o mercado de curto prazo, apresenta elevações significativas. Em março, a previsão para o submercado Sudeste/Centro-Oeste é de R$ 325,00/MWh, tornando menos atraente para os geradores a celebração de contratos de longo prazo.

Diante desse cenário, algumas geradoras/comercializadoras estão rescindindo contratos antigos para redirecionar a energia para o mercado de curto prazo, onde os preços mais altos oferecem margens superiores.

O gargalo do “curtailment” e os prejuízos para a energia renovável

Um dos principais desafios da infraestrutura atual é o “curtailment”, que resulta em cortes na geração devido a restrições de transmissão. Em 2025, os prejuízos com essa prática totalizaram R$ 6,5 bilhões, com o Brasil desperdiçando cerca de 20% de sua capacidade de produção de energia eólica e solar.

Esse cenário afeta diretamente o caixa das empresas, levando geradores solares e eólicos, principalmente no Nordeste, a comprar energia a preços elevados no mercado spot para cumprir contratos de entrega.

O papel da geração distribuída e das baterias

A Geração Distribuída (GD) permanece como uma opção para garantir tarifas estáveis, mesmo com o aumento das bandeiras tarifárias. Já no Mercado Livre, a tecnologia de armazenamento de energia por baterias surge como solução para os cortes na geração e para a estabilidade da rede elétrica.

Perspectivas para o segundo semestre

Apesar do nível dos reservatórios no Sudeste e Centro-Oeste fechar março de 2026 em torno de 64,5%, menos do que os 71% registrados em 2025, a hidrologia desfavorável deve manter a pressão sobre os custos de energia. Consumidores e investidores são aconselhados a monitorar de perto as variáveis regulatórias e buscar contratos de longo prazo para garantir previsibilidade em um mercado cada vez mais volátil.

Por Walter Fróes, CEO do grupo CMU Energia

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.

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