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Evasão em universidades privadas chega a 60% na região de Campinas, e especialista aponta custo e rotina como causas

Evasão em universidades privadas chega a 60% na região de Campinas, e especialista aponta custo e rotina como causas

Evasão em universidades privadas chega a 60% na região de Campinas, e especialista aponta custo e rotina como causas

Evasão em universidades privadas chega a 60% na região de Campinas, e especialista aponta custo e rotina como causas

Região de Campinas registra aumento na evasão de estudantes do ensino superior. O Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, elaborado pelo Instituto Semesp e divulgado recentemente, revela que a taxa de evasão em instituições de ensino privadas atingiu 60% na região de Campinas (SP). Essa análise se baseia em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) referentes ao cenário de 2024.

Evasão é o termo usado para descrever a saída de estudantes de cursos de graduação antes da conclusão, sem obtenção do diploma. Geralmente, envolve situações como abandono ou desistência formal, resultando no rompimento do vínculo com o curso ou a instituição. De acordo com o levantamento, a taxa de permanência foi de 9,9%, enquanto a de conclusão atingiu 30% nesse período.

Nas universidades públicas, a desistência ficou em 42,8%, com taxa de permanência de 27,5% e conclusão próxima a 29%. Os índices observados na região, que engloba 90 municípios do interior de São Paulo, superam a média nacional. Segundo o Semesp, a taxa de evasão em faculdades particulares foi de 26,6%, enquanto nas instituições públicas foi de 21,4% em todo o Brasil.

O que justifica a taxa de desistência? Os dados indicam que, para muitos estudantes, a escolha do curso superior nem sempre é definitiva. Muitos desistem nos primeiros meses, como foi o caso de João Ribeiro, que iniciou o curso de jornalismo com o objetivo de se tornar comentarista esportivo, mas percebeu suas limitações em português e redação. Ele relata: “Eu comecei a faculdade de jornalismo porque eu queria ser comentarista esportivo, mas, na verdade, eu sempre fui ruim tanto de português quanto de redação. Por isso eu falei: ‘acho que esse curso não vai dar certo’.”

Além das dificuldades com as disciplinas, a rotina intensa também contribui para a evasão. Thiago Assis desistiu do curso de processos químicos em uma universidade pública e optou por estudar farmácia, almejando uma vaga em uma instituição federal. Ele comenta: “Eu tinha feito curso técnico em química, algo que eu usava bastante na época, mas eu fui para a Fatec e no começo do curso mesmo percebi que não gostava muito. Não ia ficar fazendo uma coisa que eu não queria para a minha vida”.

Ângela Soligo, docente sênior da faculdade de educação da Unicamp, destaca que diversos fatores contribuem para a alta taxa de desistência, sendo o alto valor das mensalidades um dos principais. Ela menciona: “Algumas instituições têm valores altos, outras nem tanto, mas quando o estudante compara o que paga com o que ele está recebendo, ele pensa melhor se vale a pena o investimento”. A professora ressalta a importância de políticas de permanência, especialmente em situações que demandam conciliação entre estudo e trabalho.

“O estudante universitário deseja se formar e aprender. Ele não está lá apenas de passagem. Tanto as instituições públicas quanto as privadas precisam considerar essas políticas de permanência, pois o Brasil é um país desigual. Para garantir a diversidade da população nas universidades, é essencial pensar em equidade”, conclui Ângela Soligo.

Imagem de arquivo: estudantes prestando vestibular em Campinas
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