STF julga suspensão dos ‘penduricalhos’ na próxima quarta-feira (25)
Título: STF decide sobre suspensão dos ‘penduricalhos’ na próxima quarta-feira (25)
O Supremo Tribunal Federal (STF) dará início na quarta-feira (25) ao julgamento das decisões liminares que estabelecem limites para o pagamento de verbas indenizatórias que ultrapassam o teto no serviço público, conhecidas como ‘penduricalhos’.
No dia 25 de fevereiro, a Suprema Corte iniciou a análise do caso, porém foi adiada por decisão do presidente Edson Fachin. Essa medida teve como objetivo garantir a análise conjunta de processos de repercussão geral e possíveis casos correlatos sobre a mesma temática.
Os benefícios foram alvo de atenção do Tribunal Superior em fevereiro, especialmente do ministro Flávio Dino, um dos principais críticos do atual sistema de gratificação aos servidores públicos. O debate ganhou intensidade após a aprovação no Congresso Nacional de um aumento para os servidores do Legislativo, prevendo o pagamento de bônus que podem exceder 100% do salário base dos funcionários, ultrapassando o teto constitucional.
No dia 5 de fevereiro, Dino concedeu uma liminar determinando que órgãos da União, estados e municípios reavaliem a base legal das verbas pagas a membros dos Poderes e servidores. Poucos dias depois, o ministro Gilmar Mendes deferiu uma medida cautelar semelhante.
A ação aborda leis de Minas Gerais que vinculam automaticamente os subsídios de desembargadores e procuradores de Justiça a 90,25% do salário de ministros do STF e do procurador-geral da República. O magistrado estabeleceu prazos de 60 dias para a suspensão de pagamentos com base em leis estaduais e de 45 dias para a interrupção de verbas fundamentadas em atos administrativos e normas secundárias.
O STF formou uma comissão técnica para subsidiar a decisão da corte em relação à limitação dos pagamentos. Esse grupo foi composto por representantes dos Três Poderes para elaborar uma proposta conjunta sobre a suspensão dos benefícios.
O cronograma incluiu reuniões ao longo do mês e foi concluído nesta sexta-feira (20) com a apresentação de um relatório aos ministros para embasar o julgamento.
O que são os ‘penduricalhos’?
Os ‘penduricalhos’ são termos utilizados para se referir a gratificações e pagamentos adicionais concedidos a funcionários públicos. Esses benefícios não estão dentro do limite remuneratório constitucional, atualmente estabelecido em R$ 46,3 mil.
Na maioria das vezes, esses valores se enquadram na categoria de verbas indenizatórias, as quais, na prática, servem para reembolsar despesas que o servidor teve ao desempenhar suas funções. Os auxílios para moradia, vestuário e livros são os mais comuns.
Conforme a Constituição, a remuneração total dos agentes públicos não pode ultrapassar os subsídios dos ministros do STF. No entanto, as verbas indenizatórias não são consideradas no valor fixo do teto, abrindo espaço para salários elevados.
Caso o Tribunal aprove um limite para esses benefícios, essa decisão deverá ser aplicada pelos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, em âmbito federal, estadual e municipal, os quais terão um prazo de 60 dias para revisar os pagamentos.



