Castro renuncia ao Governo do RJ um dia antes de julgamento no TSE
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), declarou nesta segunda-feira (23) que deixa o comando do Palácio Guanabara com a “cabeça erguida”.
Castro renuncia ao cargo para concorrer ao Senado em outubro. A renúncia acontece às vésperas do reinício do julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que poderia resultar na cassação de seu mandato e torná-lo inelegível.
“Saio com a cabeça erguida, com gratidão. Alguém que iniciou como vereador, torna-se vice-governador de forma totalmente improvável. […] A figura do governador do estado recuperou o respeito, tornou-se uma figura querida”, afirmou em pronunciamento à imprensa.
Em uma fala de 20 minutos e sem responder perguntas, Castro destacou as realizações de seu governo, mencionando investimentos em segurança pública, a concessão de serviços de saneamento básico e a execução de obras. Ele enfatizou que valorizou o cargo de governador e criticou o ex-governador Wilson Witzel, de quem foi vice até o impeachment em junho de 2020, quando assumiu o estado.
“Se tive um antecessor que não valorizou o cargo de governador, que já no primeiro dia aspirava à presidência, eu vivi intensamente esses seis anos com orgulho de ser governador. Tenho a convicção de que essa posição foi o ponto mais alto da minha carreira”, declarou.
Ao renunciar antes do julgamento, Castro busca garantir a realização de uma eleição indireta para o restante do mandato, que vai até o final deste ano. Se cassado pelo TSE, poderia ocorrer uma eleição direta, diminuindo sua influência sobre a sucessão imediata.
A renúncia também tem o objetivo de reduzir a relevância do julgamento, que atualmente aponta um placar de 2 a 0 a favor da cassação e inelegibilidade do governador. Castro tenta prolongar a discussão sobre a segunda punição para viabilizar sua candidatura ao Senado.
A carta de renúncia será assinada em cerimônia no Palácio Guanabara nesta segunda à noite. Após o governador deixar o cargo, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto de Castro, assumirá interinamente a função.
O desdobramento que levou o presidente do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) a assumir o Palácio Guanabara começou em maio. Foi quando Cláudio Castro convenceu o ex-vice-governador Thiago Pampolha a renunciar para assumir uma cadeira no TCE (Tribunal de Contas do Estado), abrindo espaço para Rodrigo Bacellar (União), então presidente da Assembleia.
O plano previa a renúncia de Castro para concorrer ao Senado. Segundo o plano, Bacellar seria escolhido pela Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), onde tinha amplo apoio, em uma eleição indireta como “governador-tampão” para buscar a reeleição em outubro.
O plano foi frustrado quando Bacellar foi preso e afastado do cargo por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sob a suspeita de vazar informações da operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho. Ele negou as acusações.
Bacellar foi substituído por Guilherme Delaroli (PL) na presidência da Assembleia, que por ser interino, não pode assumir o governo estadual em caso de vacância nos cargos de governador e vice.



