Brasil entra na era supersônica: primeiro caça Gripen F-39E totalmente nacional será lançado por Lula
O Brasil está prestes a alcançar um marco histórico na indústria de defesa e tecnologia aeronáutica. Nesta quarta-feira (25), será apresentado oficialmente o primeiro caça supersônico F-39E Gripen totalmente fabricado em território nacional — um avanço que consolida o país como protagonista na produção de aeronaves de alta complexidade.
A cerimônia contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será realizada no Aeródromo da Embraer, em Gavião Peixoto (SP), simbolizando mais de uma década de investimento estratégico, transferência de tecnologia e desenvolvimento industrial.
Do contrato à realidade: uma década de transformação
O caminho até esse momento começou em 2013, quando o governo brasileiro escolheu a sueca Saab como vencedora de uma concorrida licitação internacional para fornecer 36 caças à Força Aérea Brasileira (FAB). A disputa envolveu gigantes da indústria global, como a Boeing, com o F-18 Super Hornet, e a Dassault, com o Rafale.
O diferencial decisivo foi a proposta da Saab: transferência completa de tecnologia, incluindo acesso ao código-fonte e participação ativa de engenheiros brasileiros no desenvolvimento da aeronave.
Diferentemente das concorrentes, que ofereceram restrições ou garantias limitadas, a fabricante sueca abriu espaço para que o Brasil não apenas adquirisse aviões, mas dominasse o conhecimento necessário para produzi-los e evoluí-los.
Tecnologia nacional e indústria fortalecida
A escolha por um projeto ainda em desenvolvimento, à época, foi estratégica. Isso permitiu que profissionais brasileiros participassem desde as etapas iniciais, absorvendo conhecimento técnico de ponta.
Hoje, componentes essenciais do Gripen já são produzidos no Brasil, incluindo:
- Fuselagem dianteira e traseira
- Cone de cauda
- Sistemas de frenagem
- Instrumentação da cabine
Além disso, das 36 aeronaves contratadas, 15 terão montagem final em solo brasileiro, consolidando a capacidade industrial nacional em todas as fases do ciclo de vida do caça.
Segundo especialistas do setor, esse processo não se limita à produção: envolve também formação de engenheiros, técnicos e pilotos altamente qualificados, criando uma base de conhecimento permanente.
A fabricação do Gripen no Brasil insere o país em um grupo extremamente restrito de nações com capacidade de produzir aeronaves de combate de última geração.
Mais do que um avanço militar, trata-se de um salto industrial. O projeto fortalece a Base Industrial de Defesa (BID), gera empregos qualificados e posiciona o Brasil em uma cadeia global altamente sofisticada.
As aeronaves produzidas nacionalmente seguem os mesmos padrões rigorosos das fabricadas na Suécia, garantindo equivalência total em desempenho, confiabilidade e tecnologia.
Autonomia estratégica e futuro da defesa
O programa Gripen representa um passo decisivo rumo à autonomia tecnológica do Brasil. A estrutura criada não será desmobilizada após a entrega das aeronaves — pelo contrário, servirá de base para futuras modernizações, novos projetos e avanços na indústria aeroespacial.
Ao dominar tecnologias críticas, o país reduz sua dependência externa e amplia sua capacidade de inovação em defesa e engenharia.
*Com informações da Agência Força Aérea e Agência Gov



