Corina Machado é ovacionada por executivos em Houston ao prometer privatizar petróleo da Venezuela
A ativista venezuelana Corina Machado foi calorosamente recebida pelos executivos presentes na CERAWeek, em Houston, no dia 24/3, ao se comprometer a privatizar o setor petrolífero da Venezuela, visando reconquistar a confiança de longo prazo das empresas de petróleo, gás natural e mineração após a queda de Nicolás Maduro.
Líder dos esforços de oposição no exterior contra o regime chavista, Machado afirmou que, dois meses após a captura de Maduro pelos EUA, ela planeja retornar ao país, agora sob o governo de Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente que ganhou destaque na administração de Donald Trump.
“O potencial venezuelano demanda recursos significativos, estimados em mais de US$ 150 bilhões nos próximos 10 anos. É o tipo de compromisso de longo prazo e de grande envergadura que as empresas presentes neste evento estão preparadas para assumir, sob as condições adequadas”, declarou Machado durante o evento.
Recebendo aplausos, ela defendeu a implementação de um regime de contratos estáveis e flexíveis para investidores, prometendo a criação de um órgão regulador autônomo e independente para o setor de petróleo e gás, com a menor intervenção governamental do Hemisfério e respeito à propriedade privada.
Machado reconheceu o alto risco associado à Venezuela, mas ressaltou o desejo do governo atual em mudar esse cenário, salientando que o risco exploratório é baixo devido às vastas reservas de petróleo do país.
“O estado venezuelano se retirará do caminho e pavimentará o caminho para criar as condições que permitirão que o mercado de petróleo e gás do país se torne totalmente privado”, afirmou, comprometendo-se também com futuras privatizações.
Ela destacou que, em meio à atual instabilidade no Oriente Médio, a Venezuela pode se tornar um parceiro para investimentos em uma região mais segura.
PDVSA falida e criminosa
Para Machado, a estatal PDVSA está “falida” e se transformou em uma “organização criminosa”. Alinhada com a iniciativa privada, ela defendeu a venda da empresa estatal como parte das reformas propostas: “Será necessário reduzir o tamanho [da PDVSA] antes de privatizá-la”, afirmou.
Reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz, Machado é uma das principais figuras da oposição ao governo de Nicolás Maduro, deposto pelos EUA em janeiro. Embora não tenha um cargo oficial, ela tem se destacado como uma voz relevante na gestão atual de Delcy Rodriguez, que assumiu após a queda de Maduro.
Machado garantiu em diversas ocasiões que o país terá eleições “em breve”. “A Venezuela será um país livre e democrático”, afirmou.
Reformas primeiro, dinheiro depois
Em debates na conferência, analistas ressaltaram que os grandes investidores só considerarão retornar ao país após as eleições.
Segundo o vice-presidente da S&P Global, Daniel Yergin, as atividades no curto prazo podem aumentar devido ao interesse de operadores menores dispostos a assumir os riscos ainda presentes na Venezuela, no entanto, as grandes empresas do setor demonstram cautela em firmar compromissos com um governo interino.
A pesquisadora sênior adjunta do Centro de Política Energética Global, Luisa Palacios, destacou que a construção de novas instituições no país demandará tempo, mas ressaltou a importância de iniciar esse processo imediatamente.
Ela enfatizou a necessidade de regras transparentes para avançar nesse processo, lembrando que as exigências dos investidores costumam ser mais rigorosas no início de um processo de abertura. “A História é relevante”, pontuou.
Palacios salientou que o fortalecimento das instituições deve ser um processo interno, sem influências externas.
O ex-diretor da PDVSA e atual associado do Baker Institute, Luis Pacheco, também alertou para a importância de mitigar os riscos de corrupção.
Pacheco ressaltou que a mudança de governo gerou grandes expectativas que ainda não foram concretizadas. “Os próximos passos ainda não estão claros”, disse.
Assista à cobertura da eixos diretamente de Houston:

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