Determinação é chave para mulheres vencerem preconceito no futebol
Atuar em ambientes tradicionalmente masculinos ainda é um desafio para muitas mulheres em diversas áreas. No futebol, as barreiras se tornam ainda mais altas, e permanecer nesse espaço requer determinação.
Neste Mês da Mulher, atletas, narradoras e jovens que estão iniciando no esporte compartilham como a vontade de vencer sustenta o comprometimento diário de participar desse esporte, que foi proibido para mulheres por quase 40 anos.
De acordo com dados de 2022 da Confederação Brasileira de Futebol, havia apenas 360 jogadoras profissionais e 17 árbitras registradas.
Na posição de Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte há três meses, a ex-jogadora Formiga ressalta que, para aumentar a presença feminina em campo, é essencial avançar na criação de um ambiente seguro.
Formiga foi a única atleta a participar de sete Copas do Mundo de Futebol, conquistando títulos como duas vezes vice-campeã olímpica e uma vice-campeã mundial, além de ter vencido os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007.
“Precisamos garantir segurança não apenas para as atletas atuais, mas para todas as meninas e mulheres, independentemente da função que desempenhem, seja como treinadoras, árbitras ou diretoras.”
A formação de base é fundamental para isso. “Há muitas meninas talentosas, mas, enquanto não houver estrutura adequada, nosso progresso será limitado”, enfatiza a atleta, que agora busca aumentar o número de jogadoras de futebol.
Ela destaca a importância de todos os estados consolidarem times femininos, com foco na formação de base, seguindo o exemplo de São Paulo.
“Embora São Paulo seja um grande polo do futebol feminino, é crucial alcançar um equilíbrio em todo o país. Os clubes precisam reconhecer isso e nos apoiar nesse processo.”
Meninas no futebol
A meio-campista Isadora Jardim, que joga na categoria sub-15 pelo Corinthians, está enfrentando desafios em sua jornada no futebol, após ouvir comentários desanimadores sobre sua participação no esporte.
“Já ouvi muitos comentários do tipo ‘futebol não é para mulher’, ‘mulher não joga futebol’. Isso nunca é fácil, mas aprendi a lidar com eles e a me tornar mais forte”, revela a atleta.
Isadora incentiva outras meninas interessadas em jogar futebol a enfrentarem os desafios e persistirem em seus sonhos esportivos.
Narração esportiva
A narradora Luciana Zogaib destaca a predominância masculina na área de narração esportiva, ressaltando a resistência cultural presente no futebol.
“O rádio existe há 100 anos, e até então apenas homens exerciam a locução. Existe uma grande resistência em relação às mulheres. Culturalmente, o machismo no futebol é muito forte”, aponta Luciana.
Integrante da equipe de esportes da TV Brasil e da Rádio Nacional, a locutora ressalta a importância da presença feminina nas transmissões esportivas para ampliar a representatividade nesse segmento.
“Isso é essencial para abrir oportunidades nesse mercado, para que outras emissoras reconheçam a importância de ter locutoras em suas equipes e, assim, gerar mais chances em diferentes áreas”, destaca.
Copa 2027
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tem como prioridade a exibição do futebol feminino e participa ativamente dos preparativos para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil.
Em colaboração com o Ministério do Esporte, a EBC está buscando formas de expandir o alcance do futebol para regiões mais remotas do país.
Neste mês, a secretária extraordinária para a Copa do Mundo Feminina de 2027, Juliana Agatte, reuniu-se com o presidente da EBC, Andre Basbaum, e com o diretor-geral, David Butter, para discutir o legado social e esportivo do evento para o Brasil, entre outros temas.
Tela do Futebol Feminino
A TV Brasil transmitirá, pelo terceiro ano consecutivo, jogos da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol. Além disso, serão exibidos confrontos decisivos das Séries A2 e A3 a partir das semifinais, junto com as finais das categorias de base do Brasileirão Feminino Sub-17 e Sub-20, com o objetivo de ampliar a visibilidade do esporte no país.



