PMs acusados de executar suspeito desarmado vão a júri popular no litoral de SP
PMs acusados de assassinar suspeito desarmado vão a julgamento popular no litoral de São Paulo
Corregedoria acusa policiais militares de matar um suspeito desarmado que já estava sob controle. Diego Nascimento de Sousa, Israel Morais Pereira de Souza e Paulo Ricardo da Silva, os policiais militares acusados de matar um suspeito desarmado em Guarujá, no litoral de São Paulo, enfrentam julgamento popular nesta quarta-feira (25) no fórum da cidade. A sentença está prevista para ser anunciada na sexta-feira (27). As defesas esperam pela absolvição.
O incidente ocorreu em 15 de junho de 2022, quando os policiais militares responderam a uma ocorrência de invasão e roubo em uma residência em Bertioga. Os suspeitos fugiram e, durante a perseguição, Kaique de Souza Passos, de 24 anos, foi morto, enquanto seu cúmplice foi baleado.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) inicialmente encerrou o processo alegando legítima defesa por parte dos policiais, mas a situação mudou quando a Corregedoria da Polícia Militar analisou as filmagens das câmeras corporais dos policiais, ouviu testemunhas e concluiu que se tratou de um assassinato premeditado.
De acordo com as investigações, o suspeito estava desarmado e já havia sido imobilizado pelos policiais quando foi morto com sete tiros. O policial que estava filmando chegou a cobrir a lente de sua câmera corporal no momento do ocorrido (assista no início da matéria).
Os policiais ficaram detidos por mais de um ano, porém foram liberados no final de 2023. Segundo a acusação, Paulo e Israel são apontados como os responsáveis pela execução, enquanto Diego é acusado de tentativa de homicídio contra o cúmplice de Kaique.
O trio está passando por julgamento popular nesta quarta-feira (25) no Fórum de Guarujá. Um total de 16 testemunhas deve prestar depoimento, além dos três réus. O julgamento deverá se estender por três dias, com término previsto para sexta-feira (27).
Defesas
Em comunicado, o advogado Émerson Lima Tauyl, representante dos cabos Paulo e Israel, informou que seus clientes são inocentes das acusações e confiam na absolvição durante o julgamento. “Desde o início, a defesa tem agido com rigor técnico e total respeito às instituições, demonstrando que os fatos descritos na denúncia não correspondem fielmente à realidade dos acontecimentos, especialmente quando confrontados com as evidências presentes nos autos”.
Segundo o advogado, a verdade será plenamente esclarecida durante o julgamento e a defesa acredita que, no tribunal, ficará claro que “não houve intenção dolosa por parte dos acusados, as circunstâncias foram distorcidas ao longo da investigação e a atuação dos policiais ocorreu dentro de um contexto operacional complexo, que será devidamente esclarecido perante os jurados”.
O advogado Alex Ochsendorf, representante do policial Diego, também afirmou que as provas apresentadas no tribunal “revelarão a verdade real, levando à absolvição do acusado”.
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