×

Dólar e Bolsa fecham em queda com guerra no Oriente Médio em foco

Dólar e Bolsa fecham em queda com guerra no Oriente Médio em foco

Dólar e Bolsa fecham em queda com guerra no Oriente Médio em foco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar registrou queda de 0,33% nesta sexta-feira (27) e encerrou a semana valendo R$ 5,238, com a guerra no Oriente Médio sendo o principal fator influenciando as decisões de investimento.

No cenário da negociação entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump adiou por 10 dias os possíveis ataques ao sistema energético iraniano. A expectativa continua sendo por um acordo que ponha fim ao conflito, porém a ausência de notícias concretas sobre um cessar-fogo leva os mercados a buscarem segurança.

Nos mercados acionários, o dia foi marcado por perdas. Os principais índices de Wall Street – S&P500, Nasdaq e Dow Jones – encerraram com quedas entre 1,6% e 2,15%, e as Bolsas de Valores europeias também apresentaram recuos. No Brasil, o Ibovespa teve uma queda de 0,64%, fechando em 181.556 pontos.

“A conjunção de preços elevados do petróleo, taxas de juros globais em alta e a incerteza relacionada ao conflito no Oriente Médio impulsionou a busca por proteção”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

“Durante o dia, o fluxo de investimentos foi se equilibrando, com menor direcionalidade, especialmente diante do final de semana que se aproximava.”

A pausa nos ataques dos EUA às instalações energéticas iranianas será estendida até a segunda-feira após a Páscoa, em 6 de abril. A decisão foi comunicada pelo presidente na plataforma Truth Social, mencionando que as negociações com o Irã estão “progredindo bem, ao contrário do que é veiculado pela mídia considerada falsa”.

Trump havia ameaçado atacar o sistema de energia do Irã, como prometido caso o país não reabrisse o estreito de Hormuz. O ultimato foi dado no sábado (21) e suspenso na segunda (23), com a pausa até então programada para este sábado (28).

Por meio do Paquistão, Trump havia apresentado um plano de 15 pontos que incluía demandas já aceitas pelo Irã em negociações anteriores, como o abandono de armas nucleares, mas também pontos inaceitáveis para o regime, como o desmantelamento completo de suas capacidades nucleares e de seu programa de mísseis ofensivos. Na quinta-feira, o Irã deixou claro que rejeitava a proposta.

Conforme a agência de notícias Reuters, Teerã considerou a proposta “unilateral e injusta”, porém indicou disposição para negociar. A iraniana Tasnim informou que o país já enviou sua visão mais abrangente para o fim do conflito, através de turcos e paquistaneses.

“O mercado acompanha as divergências nas notícias: ora o cessar-fogo avança, ora não. Isso gera muita incerteza e volatilidade”, comenta Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

Com mais de 90% do tráfego no estreito de Hormuz interrompido, os preços do petróleo dispararam, ultrapassando novamente os US$ 100 o barril na quinta-feira. Nesta sessão, chegaram a superar os US$ 110.

O aumento dos preços do petróleo e as tensões no Oriente Médio continuam pressionando as moedas de países emergentes, levantando preocupações sobre inflação global e política monetária.

No contexto nacional, o J.P. Morgan avalia de forma positiva a situação do Brasil, que se beneficia mesmo diante da instabilidade global. “Dentro dos países emergentes, a América Latina se mostra como um ‘porto seguro’, sendo o Brasil o mais bem posicionado nessa região”, destaca o relatório.

Em um comunicado aos clientes, o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, mencionou que a faixa de R$ 5,20 ou menos é um ponto de compra de dólares para importadores, enquanto para exportadores o ponto de venda estaria em torno de R$ 5,28 ou um pouco acima.

Leia Também: Governo reage à inclusão de Lulinha na CPI do INSS e pede indiciamento de Bolsonaro e Flávio

Créditos