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Petrobras vende gás de cozinha mais caro em leilão para distribuidoras

Petrobras vende gás de cozinha mais caro em leilão para distribuidoras

Petrobras vende gás de cozinha mais caro em leilão para distribuidoras

Título: Petrobras aumenta preço do gás de cozinha em leilão para distribuidoras

A Petrobras está vendendo 70 toneladas de gás liquefeito de petróleo (GLP) com preços até 100% superiores aos praticados pela estatal, conhecidos como “preços em linha”. O leilão foi anunciado na semana passada, em meio à alta das cotações do petróleo no mercado internacional.

O leilão ainda está em andamento e será atualizado conforme os resultados dos polos forem finalizados.

O maior aumento registrado até agora ocorreu em Duque de Caxias (RJ), onde o preço do botijão de 13 kg, que na tabela da Petrobras é de R$ 33,37, foi vendido por R$ 72,77 no leilão.

O preço médio do gás de cozinha da Petrobras é cerca de R$ 2,7 por quilo em todo o país desde julho de 2024. No entanto, por meio dos leilões, a empresa disponibiliza o combustível a preços mais altos, aumentando suas margens sem precisar anunciar oficialmente um aumento de preços.

As 70 toneladas vendidas no leilão de hoje representam aproximadamente 15% da demanda do combustível em todo o país em um mês. Como tem acontecido recentemente, os preços mais elevados nos leilões serão repassados pelas distribuidoras aos consumidores finais.

Em resposta à crise provocada pelos ataques dos EUA e Israel contra o Irã, a Petrobras realizou leilões de diesel com preços até 75% superiores, conforme reportado pela agência eixos. A intenção era seguir o mesmo caminho com a gasolina, mas os leilões foram cancelados e a empresa optou por antecipar pedidos das distribuidoras pelos preços normais.

A seguir, apresentamos os preços médios do GLP vendido pela Petrobras nos leilões, com o impacto no botijão de 13 kg em comparação com os preços médios praticados nos estados.

O “preço de tabela” é o valor médio informado pela Petrobras para os estados em seu site (precos.petrobras.com.br) e permanece o mesmo desde julho de 2024. O “leilão” indica o valor médio de 13 quilos vendidos nos leilões de hoje, com o ágio por quilo entre parênteses.

  • Belém (PA), 3 mil toneladas.
    Preço no estado: R$ 35,10 (13 kg);
    Leilão: R$ 56,88 (13 kg), ágio de 1,675/kg
  • Ipojuca/Suape (PE), 9 mil toneladas;
    No estado: R$ 33,35 (13 kg)
    Leilão: R$ 60,65 (13kg), ágio de 2,100/kg
  • Betim (MG), 5 mil toneladas;
    No estado: R$ 35,48 (13 kg)
    Leilão: R$ 52,48 (13kg), ágio de 1,300/kg
  • Duque de Caxias (RJ), 13 mil toneladas;
    No estado: R$ 33,37 (13 kg)
    Leilão: R$ 72,77 (13kg), ágio de 3,030/kg
  • São José dos Campos (SP), 14 mil toneladas;
    Tabela: R$ 34,74 (13 kg)
    Leilão: R$ 58,14 (13kg), ágio de 1,800/kg

Ainda restam os leilões referentes aos polos de Paulínia (SP), com 17 mil toneladas; e Araucária (PR), com 9 mil toneladas.

Brecha na regulamentação de preços

A falta de transparência nos leilões da Petrobras é reflexo de uma lacuna na regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo interpretação da ANP, a Petrobras não tem obrigação legal de divulgar os resultados detalhados dos leilões que realiza.

Essa isenção contrasta com as exigências gerais de transparência impostas ao setor. A regulação determina que os preços praticados por todas as refinarias nacionais e importadores sejam disponibilizados publicamente na internet.

Essa medida visa garantir que o mercado e os consumidores tenham acesso a informações essenciais de precificação. No entanto, essa obrigatoriedade se aplica somente aos “preços de tabela” ou “preços em linha” do mercado de combustíveis.

A brecha regulatória está na falta de transparência nos resultados dos leilões da Petrobras. A própria ANP, ao interpretar a regulamentação existente, não exige transparência nos casos em que os combustíveis são vendidos por meio desses leilões a preços acima do estabelecido.

Essa situação cria uma área obscura no mercado, onde parte significativa das transações de combustíveis da principal empresa do setor no país pode ocorrer sem a devida fiscalização pública.

Para entender: os leilões da Petrobras

A Petrobras opera com um sistema de “cotas”. As distribuidoras com contratos com a estatal podem adquirir volumes mensais de gasolina, diesel e GLP com base na média de retiradas dos meses anteriores.

  • Nessas cotas, são aplicados os preços da tabela publicada pela empresa em seu site. Nos leilões, as distribuidoras competem para pagar um “prêmio”, um valor adicional sobre a tabela para retirar volumes adicionais de combustíveis.
  • Os leilões são uma maneira de ofertar volumes extras, além das cotas, por meio de concorrência no mercado. Contudo, nos casos recentes de diesel e gasolina (posteriormente cancelados), a Petrobras suspendeu as entregas por cotas e programou leilões. Isso permitiu que vendesse a preços mais altos sem a necessidade de anunciar um reajuste oficial.

A agência eixos tentou contato com a Petrobras para comentar os resultados do leilão e os valores dos ágios, porém não obteve resposta. O espaço segue aberto.

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