Compradores recorrentes dominam 53% do valor de M&As em óleo e gás
Compradores recorrentes dominam 53% do valor de M&As em óleo e gás
Os principais compradores frequentes de ativos no setor de óleo e gás concentraram mais da metade (53%) do total de fusões e aquisições nos últimos dez anos, conforme apontado por um levantamento da Bain & Company sobre o mercado global. A consultoria define como compradores recorrentes as empresas que realizam pelo menos uma transação por ano.
De acordo com o estudo, esse grupo também obteve um desempenho superior a longo prazo. Entre 2012 e 2022, o retorno total para os acionistas foi 130% maior do que o registrado por empresas menos ativas em aquisições.
O relatório também destaca um ambiente de maior competição por ativos, indicando um mercado aquecido. Nesse contexto, os múltiplos das transações teriam aumentado de 4 vezes em 2022 para 6,9 vezes em 2025.
No Brasil, observa-se um movimento de consolidação no setor de óleo e gás.
Segundo Márcio Santiago, sócio da assessoria financeira Araújo Fontes e especialista em energia, esse processo está associado à interrupção dos desinvestimentos da Petrobras, realizados no governo anterior, que ocorreram de maneira ampla e diversificada.
“Com a suspensão desses desinvestimentos durante o governo atual, as empresas agora estão trocando ativos, visando uma maior eficiência no portfólio ou discutindo fusões entre si”, destaca Santiago.
Santiago enfatiza que a estratégia é consolidar ativos para formar plataformas de produção maiores. Isso permitiria ganhos de escala com a concentração das operações em áreas geográficas semelhantes, além de tornar esses negócios mais atrativos para novos investimentos e acelerar seu crescimento.
De acordo com Santiago, os ativos mais atrativos no Brasil atualmente são aqueles focados mais na produção do que na exploração, especialmente quando já possuem reservas comprovadas, equipamentos próprios e capacidade técnica interna para intervenções em poços.



