Erika Hilton critica PM de SP por aposentadoria do tenente-coronel
Deputada critica Polícia Militar de São Paulo por conceder aposentadoria ao tenente-coronel
Na quinta-feira (2 de abril de 2026), a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) expressou desapontamento com a atuação da Polícia Militar de São Paulo e da Justiça Militar em relação ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que foi preso sob suspeita de matar sua esposa. Em suas redes sociais, a parlamentar questionou a decisão de permitir a aposentadoria do policial e criticou a forma como as autoridades estão lidando com o caso.
Segundo Hilton, o oficial foi recebido com acolhimento em uma unidade prisional destinada a policiais, que ela descreve como um local que “mais parece um clube para policiais criminosos”. A deputada também lamentou o fato de o tenente ter sido capaz de se aposentar enquanto está detido, recebendo um salário mensal aproximado de R$ 30 mil.
A parlamentar afirmou que o caso será julgado pela Justiça Militar, o que, em sua opinião, poderia beneficiar o acusado. Ela destacou que essa instância poderia interpretar a aposentadoria do tenente de maneira favorável e absolvê-lo.
Hilton também mencionou possíveis interferências durante a investigação inicial, incluindo a alteração da cena do crime para simular um suicídio e a prisão que ocorreu um mês após o ocorrido. Ela citou ainda o apoio de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo ao policial no início do caso.
A deputada responsabilizou o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela gestão da segurança pública no Estado e criticou o tratamento que considera benevolente dado a policiais acusados de crimes.
Entenda o Caso
A Polícia Militar concedeu aposentadoria integral ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que está preso preventivamente sob suspeita de assassinar sua esposa, a soldado PM Gisele Alves Santana. A transferência do tenente-coronel para a reserva da corporação foi oficializada também na quinta-feira (2 de abril de 2026). O oficial de 53 anos está detido desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes.
A solicitação de transferência para a reserva foi feita pelo próprio tenente-coronel, com base em critérios proporcionais de idade previstos na legislação. Esses critérios permitem que o policial se aposente antes de completar todos os requisitos para a aposentadoria integral, recebendo um benefício proporcional ao tempo de serviço e à idade no momento do pedido.
Dados do Portal da Transparência indicam que o último salário bruto do oficial ultrapassava R$ 28.000, e o benefício deve ficar em torno de R$ 20.000 após a aplicação da proporcionalidade.
Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio qualificado e fraude processual após análises periciais, depoimentos e evidências eletrônicas.
De acordo com as investigações, o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça, em uma trajetória incompatível com um autodisparo. Além disso, foram identificadas lesões no rosto e no pescoço de Gisele, juntamente com hematomas nos olhos, sugerindo que ela foi agredida e imobilizada antes da morte. Há também indícios de manipulação da cena do crime e contradições no relato do oficial.
O inquérito policial militar está em fase final e será encaminhado à Justiça. O tenente-coronel permanece detido preventivamente por decisão judicial.



