Amor pelas sombras e 'receio' das águas: quem é Jack, a 1ª onça-pintada a passar por transfusão de sangue no país
Amor pelas sombras e ‘receio’ das águas: quem é Jack, a 1ª onça-pintada a passar por transfusão de sangue no país
Conheça Jack, onça-pintada que recebeu a primeira transfusão de sangue da espécie no país.
Jack, um felino de 18 anos com doença renal crônica, fez história em 19 de março ao se tornar o primeiro de sua espécie a passar por uma transfusão de sangue no Brasil. O animal vive no Zoológico de Sorocaba (SP) e precisou do procedimento inédito para dar início ao seu tratamento.
Nascido em 2008 no Pará, o macho idoso chegou ao Zoo de Sorocaba em abril de 2023. Lá, passou a fazer companhia para Vitória, uma fêmea com hidrocefalia que reside no zoológico há 14 anos. Segundo a prefeitura, após um período de adaptação, os dois “convivem muito bem, interagindo positivamente e sem brigas”.
Jack é um animal tranquilo, que passa grande parte do dia descansando na sombra e, ao contrário de sua companheira, não gosta de entrar na água. A equipe do zoológico informa que ele sempre se alimentou bem, com preferência por carne bovina.
Por ser de uma espécie ameaçada de extinção, a onça-pintada faz parte de um programa nacional de conservação, que determina o destino dos animais entre as instituições participantes. Assim, o tempo que Jack permanecerá no Zoo de Sorocaba será definido conforme a iniciativa.
O Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros foi fundado em 1968 e recebe verba da prefeitura para manter as espécies preservadas. O objetivo é promover a empatia entre seres humanos e animais, além da reprodução para reintroduzir essas espécies na natureza.
A entrada é gratuita. O Zoo está localizado na Rua Theodoro Kaisel, número 883, na Vila Hortência, e é aberto de terça-feira a domingo, das 9h às 17h.
Transfusão e tratamento
Devido à doença renal crônica, Jack estava anêmico e não tinha condições de iniciar a hemodiálise, tratamento essencial para compensar a falha de seus rins. A solução encontrada pela equipe veterinária foi recorrer ao sangue de uma onça-pintada saudável.
No dia 13 de março, Jack foi levado ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas), em Botucatu (SP). Lá, recebeu o sangue de Ruana, uma onça fêmea do zoológico da capital paulista. O procedimento durou duas horas e foi considerado um sucesso.
O médico veterinário Gabriel Correa de Camargo, que coordenou o procedimento, explicou ao g1 que Jack permanecerá temporariamente em Botucatu para tratamento.
“O Jack vai ficar aqui até se estabilizar. A gente ainda está avaliando se ele vai precisar de hemodiálise ou não. Ele está se recuperando aos poucos. Estamos fazendo um tratamento por aqui, sempre mantendo contato com o Zoo de Sorocaba para a tomada de decisões”, acrescenta.
O tratamento inclui soro intravenoso para hidratação e medicamentos para controlar possíveis enjoos, sendo adaptado diariamente conforme a avaliação da equipe. A expectativa é que, com os cuidados, Jack tenha mais alguns meses ou anos de vida com bem-estar, superando a expectativa de vida de 20 anos para a espécie sob cuidados humanos.
“O que a gente consegue agora é garantir bem-estar e saúde para ele, dentro do que é possível e do que o organismo dele consegue responder”, finaliza Camargo.
Importância da preservação da espécie
A onça-pintada é uma espécie essencial para o equilíbrio ecológico, sendo o topo da cadeia alimentar. O trabalho das ONGs, como a Mata Ciliar de Jundiaí (SP), é fundamental para a preservação não apenas dessa espécie, mas também de outros animais da fauna brasileira.
A médica veterinária Cristina Harumi Adania, da Associação Mata Ciliar de Jundiaí, destaca a relevância da preservação da onça-pintada para o ecossistema. Ela ressalta que a presença desse felino é crucial para manter o equilíbrio na cadeia alimentar, evitando desequilíbrios e garantindo a qualidade de vida do ambiente.


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