O rock pode ficar nichado, diz Tico Santa Cruz, com novo disco do Detonautas
O cantor Tico Santa Cruz, integrante do Detonautas, afirma que o rock pode se tornar um estilo musical de nicho, conforme o lançamento do mais recente álbum da banda.
Com uma trajetória de sucesso que atravessa várias gerações, o Detonautas se destaca pela produtividade, tendo gravado cinco discos nos últimos seis anos, mesmo em meio à pandemia.
Em meio à crise provocada pela Covid-19, a banda lançou álbuns de estúdio em 2021 e 2022, seguidos por um registro acústico em comemoração aos 20 anos de carreira. Posteriormente, gravaram versões de músicas do repertório de turnês e, agora, o recém-lançado “Rádio Love Nacional”.
O álbum inicialmente intitulado “DVersões” foi apresentado a gravadoras, e a parceria com a Deck, liderada por Rafael Ramos, abriu novas possibilidades. Tico Santa Cruz conta que, após ouvir a faixa inédita “Potinho de Veneno”, Ramos se entusiasmou, mesmo após inicialmente considerar o material como algo convencional.
O EP digital “DVersões” foi lançado enquanto a banda já trabalhava em um álbum de músicas inéditas. Santa Cruz admite ter ficado surpreso com a solicitação de mais dez canções, pois, no momento, só tinham “Potinho de Veneno” em mãos.
A inspiração para a música veio das biografias de Rita Lee, refletindo em sua composição. Santa Cruz destaca a influência do vocabulário peculiar da cantora na criação da canção.
Produzida por Pablo Bispo e Ruxell, a música apresenta novas sonoridades ao Detonautas, explorando influências como tecnobrega e surf music. O álbum, composto por 11 faixas, foge do convencional rock da banda, apostando em uma mistura de estilos que caracteriza o grupo.
O novo disco evidencia a diversidade sonora do Detonautas, incluindo gêneros como dub, reggae, metal, trap e até mesmo brega pop. Tico Santa Cruz acredita que a banda evoluiu ao romper com a ideia de fidelidade apenas ao rock, passando a incorporar elementos da música brasileira em suas composições.
Além das faixas de rock como “Coração Latino” e reggae em “Antimonotonia”, o álbum também traz uma boa dose de pop rock, com destaques para “Vampira”, “Potinho de Veneno”, “Renda-se” e “Dor Fantasma”. Esta última, com influências de brega, remete aos sucessos populares dos anos 1980.
As letras do disco são marcadas pela criatividade, explorando terminologias específicas e referências a filmes. Santa Cruz ressalta a competitividade saudável entre os letristas das décadas de 1980 e 1990, que buscavam inspiração em livros e precisavam driblar a censura da época da ditadura.
O cantor expressa preocupação com a postura conservadora adotada por bandas de rock atuais, que podem afastar as novas gerações devido à falta de renovação e linguagem ultrapassada. Ele acredita que se o rock não se reinventar, poderá se tornar um estilo musical de nicho, afastando-se do interesse dos jovens.
Enquanto isso, o Detonautas segue em turnê e tem presença confirmada em diversos festivais, como o Somos Rock em São Paulo, João Rock em Ribeirão Preto e Rock in Rio, em setembro.
RÁDIO LOVE NACIONAL
– Onde: Plataformas digitais
– Autoria: Detonautas
– Produção: Brasil, 2026
– Gravadora: Deck



