Identificação com esquerda ou direita avança entre moradores de São Paulo, mostra pesquisa
A população da cidade de São Paulo passa por uma tendência de avanço na autoidentificação ideológica de seus moradores, tanto à esquerda quanto à direita, ainda que uma fatia expressiva continue a afirmar que não se posiciona em nenhum dos dois campos. É o que revela uma pesquisa do Monitor do Debate Político, projeto vinculado ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e à Universidade de São Paulo (USP), que mede essa movimentação desde 2019. O crescimento foi constatado nos levantamentos do ano inicial e nos subsequentes, de 2023 e 2026.
A parcela que se considerava de esquerda era de 16% em 2019. O índice subiu para 20% em 2023, e chegou a 28% em 2026. A identificação com o campo da direita também cresceu, com 9%, 15% e 21%, respectivamente, nos três levantamentos.
Já o grupo que não se identifica com nenhum dos campos ideológicos, nem mesmo o de centro, teve uma trajetória inversa: caiu de 57% para 48% nos quatro anos iniciais, e chegou a 39% na pesquisa mais recente.
Para os pesquisadores, o resultado está alinhado com a literatura internacional sobre polarização afetiva. Embora as opiniões políticas da população não sejam tão extremadas quanto o debate público sinaliza, dizem, há um “processo recente e intenso de fortalecimento das identidades políticas, com maior identificação dos indivíduos com campos ideológicos e maior centralidade dessas identidades na forma como percebem a política”.



