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Se dependesse da elite, Brasil ainda teria escravidão, diz Lula

Se dependesse da elite, Brasil ainda teria escravidão, diz Lula

Se dependesse da elite, Brasil ainda teria escravidão, diz Lula

Declaração pelo Dia do Trabalhador foi feita durante pronunciamento à cadeia de rádio e TV nesta 5ª feira (30.abr)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que “se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”. A declaração foi feita nesta 5ª feira (30.abr.2026), em pronunciamento à cadeia de rádio e TV pelo Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio. 

No discurso, o petista tratou do fim da escala 6 X 1, tema considerado relevante para a sua campanha de reeleição. Disse: “A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil”.

A fala do presidente faz referência à frase da campeã do Big Brother Brasil de 2026, Ana Paula Renault, que foi citada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP). Em publicação no X, o pré-candidato ao governo de São Paulo compartilhou o vídeo de Ana Paula e disse que “se a gente se mobilizar, nós vamos conseguir fazer o Congresso aprovar a mudança da jornada 6 X 1”.

Um dos temas mais caros para o Planalto é a redução da jornada de trabalho. A pauta tem sido vendida como uma política de bem-estar para as mulheres, grupo tido como um dos focos da campanha –o eleitorado feminino representa a maioria dos votantes.

O governo enviou, em 14 de abril, o projeto de lei pela redução da escala de trabalho ao Congresso. O projeto foi construído de forma abrangente. O texto também mexe em legislações complementares às que tratam de categorias específicas, ampliando o escopo da reforma.

“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar 6 dias por semana para descansar apenas 1 dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”, disse na declaração aos brasileiros.

Assista ao pronunciamento (7min10s): 

Assim como em 2025, Lula não deve participar de nenhum ato no dia 1º de maio. Estratégia visa a evitar desgaste de imagem, considerando o esvaziamento do evento organizado por centrais sindicais em 2024.

DESENROLA 2.0

Para o público onde o apoio está curto, o “Desenrola 2.0” será apresentado como a principal marca econômica para o 2º semestre. O objetivo é limpar o nome dos devedores a tempo de recuperarem o crédito para as compras de fim de ano.

Entre os pontos centrais da nova fase estão:

  • renegociação de serviços: foco em contas de luz, água e comércio varejista;
  • garantia do Tesouro: uso do fundo garantidor para reduzir o risco dos credores e baixar as taxas de juros;
  • público-alvo: ampliação da faixa de renda para atender a classe média baixa e trabalhadores informais.

No discurso, o presidente afirmou que os brasileiros que renegociarem as dívidas com o programa ficarão bloqueados de todas as plataformas de apostas on-line por 1 ano.

“O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos. Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”, declarou.

DERROTA NO SENADO

O pronunciamento de Lula foi feito 1 dia depois de uma das maiores derrotas políticas do 3º mandato do presidente. Na 4ª feira (29.abr), o ministro da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado para assumir a vaga no Supremo Tribunal.

Indicado por Lula em 20 de novembro, o AGU recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis –seriam necessários 41 a favor para que ele fosse aprovado.

Com a rejeição, o governo estuda uma retaliação ao presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Também faz um pente-fino para identificar possíveis traições de congressistas da base aliada –incluindo no PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Como o pronunciamento foi gravado na 4ª feira (29.abr), antes da derrota de Messias no Senado, não há nenhuma menção à rusga com o Congresso na mensagem.

PL DA DOSIMETRIA

Menos de 24 horas depois de rejeitar a indicação de Jorge Messias, o Congresso derrubou, nesta 5ª feira (30.abr.2026), o veto do presidente ao PL (Projeto de Lei) da Dosimetria. O placar na Câmara foi de 318 votos contra e 144 a favor da manutenção da medida. No Senado, 49 a 24, respectivamente.

O projeto, que reduz penas para crimes de golpe de Estado e abolição do Estado de Direito, beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 849 condenados pelos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023. A derrubada do veto marca mais uma derrota do governo Lula no 3º mandato.

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