O ES capta só 3% dos recursos da Finep: como empresas estão deixando R$ 250 milhões em inovação na mesa?
Três por cento. Essa é a fatia dos recursos da Finep — Financiadora de Estudos e Projetos, principal instrumento federal de financiamento à inovação — que efetivamente chegou a empresas capixabas até o fim de 2024. O restante ficou em outros estados, acessado por empresas que souberam estruturar projetos competitivos e navegar nos editais e linhas disponíveis. Para o Espírito Santo, o dado é um diagnóstico claro: não falta dinheiro para inovar. Falta organização para captá-lo.
É exatamente esse gargalo que a BButton Ventures, consultoria capixaba fundada a partir da vivência prática dentro de empresas de médio porte, transformou em modelo de negócio. Em projetos estruturados para clientes de setores variados, a empresa já movimentou mais de R$ 250 milhões em investimentos voltados à inovação, tecnologia e crescimento empresarial no Espírito Santo e em outros estados.
O problema que ninguém resolve internamente
O perfil de empresa que a BButton atende é específico e representativo de boa parte do tecido empresarial capixaba: negócios com faturamento médio, que precisam inovar para crescer e manter competitividade, mas que não têm estrutura interna — nem equipe técnica especializada — para identificar as linhas de financiamento disponíveis, muito menos para montar um projeto que passe pelo crivo dos agentes financeiros.
“Existe dinheiro disponível para inovação, mas a maior parte das empresas não sabe como acessar ou estruturar um projeto competitivo. O nosso papel é apoiar as empresas a organizarem seus projetos de forma a se tornarem mais qualificáveis, aumentando as chances de aprovação.” — Flavio Aguilar, sócio da BButton Ventures
O resultado prático desse gargalo é que projetos que poderiam ser financiados com condições muito mais vantajosas do que as praticadas pelo mercado de crédito tradicional — em alguns casos, com taxas subsidiadas ou recursos não reembolsáveis — acabam sendo engavetados por falta de estrutura, não por falta de mérito.
Projetos de R$ 500 mil a R$ 20 milhões em setores diversos
A atuação da BButton é transversal: os projetos estruturados pela consultoria variam de R$ 500 mil a R$ 20 milhões e já alcançaram empresas da indústria moveleira, construção civil, educação, moda e vestuário e saúde. A amplitude setorial é, em si, uma evidência relevante: o acesso a recursos para inovação não é prerrogativa de tecnologia ou biotech. Qualquer empresa com capacidade de organização e estratégia pode se qualificar — desde que saiba como se apresentar.
“Os recursos disponibilizados nos programas públicos e linhas de incentivo podem viabilizar desde melhorias operacionais até o desenvolvimento de novos produtos, serviços ou modelos de negócio.” — Yuri Nico, sócio da BButton Ventures
Atualmente, a consultoria atua em três frentes complementares: inovação corporativa, desenvolvimento de spinoffs e captação de recursos incentivados — sendo esta última a principal porta de entrada para novos clientes e o serviço com demanda mais imediata no mercado capixaba.
A consultoria que aplica o que vende
Um detalhe que diferencia a BButton no mercado de consultorias de inovação é que ela aplica internamente o modelo que defende para clientes. A empresa já captou cerca de R$ 4 milhões em recursos para projetos próprios de inovação — o que significa que seus sócios conhecem o processo de dentro, com todos os seus requisitos, riscos e etapas.
Esse histórico próprio funciona como prova de conceito: a metodologia foi testada, ajustada e validada antes de ser oferecida ao mercado. Em um segmento onde promessas de captação são abundantes e entregas são mais raras, esse diferencial tem peso na decisão do cliente empresarial.
O que o ES perde ao não captar
“Existe um volume enorme de recursos disponíveis no Brasil hoje, mas ainda são poucas as empresas que conseguem acessar. Não é por falta de oportunidade, é por falta de organização e conhecimento do caminho. Quem se estrutura, capta e cresce mais rápido. Quem não, fica para trás.” — Flávio Aguilar, sócio da BButton Ventures
O dado dos 3% da Finep capturado pelo ES não é apenas uma estatística — é o tamanho da oportunidade desperdiçada a cada ciclo de financiamento. Com bilhões disponíveis anualmente em linhas públicas federais, estaduais e de agências de fomento, empresas capixabas que não acessam esses recursos estão, na prática, cedendo vantagem competitiva para concorrentes de outros estados que já dominam esse jogo.
A BButton Ventures aponta que o caminho para inverter esse cenário passa por uma mudança de mentalidade das empresas: inovação deixa de ser custo e passa a ser investimento financiável — desde que o projeto seja bem estruturado.



