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Guarulhos tem 665 mil pessoas inadimplentes no Serasa

Guarulhos tem 665 mil pessoas inadimplentes no Serasa

Guarulhos tem 665 mil pessoas inadimplentes no Serasa

Índice de endividados na cidade supera a média nacional

A crise econômica no Brasil atinge níveis alarmantes e afeta intensificamente a cidade de Guarulhos. De acordo com dados confirmados pelo Serasa ao GRU Diário nesta semana, cerca de 70% dos adultos em Guarulhos estão inadimplentes. A cidade possui 665.124 endividados, que são responsáveis por quase 3,5 milhões de dívidas acionadas.

O valor total do débito protestados pelos habitantes da cidade é de R$ 4,8 bilhões. O montante equivale a 62% do orçamento da Prefeitura de Guarulhos para 2026. O número cita apenas os débitos registrados no Serasa, sem contar os atrasos que não foram acionados pelos credores. O ticket médio de dívidas por inadimplente é de R$ 7.308,33. Já o ticket médio por dívida é de R$ 1.420.

Se a situação em Guarulhos é preocupante, no restante do Brasil o cenário é bem parecido. O volume de brasileiros inadimplentes atingiu a marca histórica de 83,3 milhões de pessoas em abril, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. Com alta de 0,67% em relação ao mês anterior, são mais de 555 mil novos consumidores negativados, o que corresponde a 50,81% da população adulta do país.

Ou seja, enquanto 70% dos adultos em Guarulhos está inadimplente, a média é de 50% no Brasil. Ao todo, os brasileiros acumulam 342 milhões de dívidas negativadas, somando mais de R$ 568 bilhões em débitos. O valor médio devido por pessoa chegou a R$ 6.814,39 — mais de quatro vezes o salário-mínimo. Só no estado de São Paulo, são mais de 20 milhões de pessoas com o nome negativado, que somam mais de 99 milhões de dívidas.

Para Fernando de Almeida Santos, professor do Centro Universitário Eniac há 15 anos, com especialista em Ciências Sociais, Administração de Empresas e Ciências Contábeis, o alto número de endividados em Guarulhos prejudica a economia da cidade.

“Você dificulta a compra e reduz a venda, o que afeta a economia. A população busca a oferta de produtos estrangeiros, mais baratos, o que dificulda as atividades da indústria local e gera mais demissões. É a realidade o Brasil”, disse.

Segundo Fernando, o alto número de endividados é um reflexo de vários fatores, como redução da renda das famílias e aumento da cesta básica. Ele disse que o Desenrola 2.0, programa federal focado nos inadimplentes, pode ajudar parte dos devedores, mas não é uma solução definitiva.

“Essa medida busca amenizar a situação, mas a renda está muito baixa”, pontuou.

O Novo Desenrola é focado nas famílias com renda máxima de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105, estudantes com dívidas no Fies, agricultores familiares, micro e pequenas empresas, servidores, aposentados e pensionistas. Vale para dívidas contratadas até 31 de janeiro, com atraso entre 90 dias e dois anos, relacionadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O programa oferece descontos entre 30% e 90% sobre o valor da dívida, com parcelamento em até 48 meses, com juros de até 1,99% ao mês.

“Em muitos casos, o consumidor utiliza linhas emergenciais, como cartão de crédito e cheque especial, para cobrir despesas básicas ou lidar com perda de renda, o que pode acelerar o efeito bola de neve das dívidas”, avaliou Aline Maciel, diretora da Serasa.

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