Ucrânia matou dezenas de russos em ataque a quartel-general, diz Zelensky
A Ucrânia afirma que matou dezenas de russos em dois ataques na região leste do país, enquanto intensifica a utilização de drones de médio alcance.
Uma das ofensivas atingiu um campo de treinamento de pilotos de drones russos na cidade ocupada de Snizhne, matando ao menos 65 cadetes e um instrutor na noite de quarta-feira (20), segundo o comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia.
Outro ataque atingiu um quartel-general do FSB (serviço de segurança russo) e um sistema de defesa aérea na região de Kherson, também área ocupada na Ucrânia, matando e ferindo quase 100 russos, de acordo com o presidente Volodymyr Zelensky nesta quinta-feira (21). Ele não informou quando o ataque ocorreu.
As alegações ucranianas de números tão elevados de vítimas são incomuns, e a CNN não pode verificá-las de forma independente. A CNN entrou em contato com as autoridades russas para obter um posicionamento.
Enquanto isso, ao longo desta quinta, o Ministério da Defesa da Rússia divulgou os avanços que alega ter obtido na linha de frente.
Além disso, a Rússia informou que entregou algumas munições nucleares a depósitos em Belarus como parte de um exercício das forças nucleares.
Os presidentes Vladimir Putin e Alexander Lukashenko lideraram esses exercícios nesta quinta-feira por videoconferência, acrescentou o Kremlin.
Avanços da Ucrânia na guerra
A Ucrânia obteve alguns sucessos recentes no campo de batalha nas últimas semanas, estancando o ritmo de perda de território.
No mês passado, retomou mais território do que a Rússia conquistou pela primeira vez desde agosto de 2024, embora Moscou ainda controle quase 20% do território ucraniano, de acordo com uma análise do Instituto para o Estudo da Guerra, um observatório de conflitos com sede nos EUA.
Esse sucesso pode ser atribuído, em grande parte, à superioridade atual da Ucrânia no uso de drones.
Depois de concentrar grande parte de seus esforços em ataques de curto alcance contra posições russas ao longo da linha de frente e em ataques de longo alcance que atingiam o interior da Rússia, as forças ucranianas intensificaram recentemente seus ataques de médio alcance, visando a logística russa.
Essas operações divulgadas recentemente parecem ser uma demonstração dessa estratégia.
There are good results from the warriors of the SSU Special Operations Center “A.” A Russian FSB headquarters has been struck, and a Pantsir-S1 surface-to-air missile system has been destroyed in our temporarily occupied territory. Thanks to just this one operation, Russian… pic.twitter.com/mSS7Shf1AI
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) May 21, 2026
Robert Brovdi, comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, afirmou que o ataque à academia de drones teve como alvo um complexo de 2.484 metros quadrados, que abrigava drones, explosivos e um posto de comando.
Ele publicou imagens que parecem mostrar drones de ataque unidirecional atingindo um prédio, que foi ficando cada vez mais danificado a cada impacto.
Imagens divulgadas nas redes sociais na noite de quarta-feira também mostraram um prédio em chamas em Snizhne, que a CNN localizou na mesma área do campo de treinamento de drones.
Zelensky também divulgou imagens mostrando ataques destruindo vários prédios, juntamente com suas alegações de ter atingido um quartel-general do FSB russo e um sistema de defesa aérea.
Ataque contra refinaria na Rússia
Em outros ataques noturnos, a Ucrânia teve como alvo a refinaria de petróleo de Syzran, localizada na região russa de Samara, a mais de 800 quilômetros da fronteira entre os dois países, disse Zelensky.
Dois familiares de um soldado russo que lutou na Ucrânia foram mortos nesse ataque, segundo o governador da região.
Outros ataques atingiram áreas ao longo de toda a fronteira oeste da Rússia, forçando as defesas aéreas russas a abaterem 121 drones ucranianos, informou o Ministério da Defesa.
Enquanto isso, pelo menos cinco pessoas morreram e 41 ficaram feridas em ataques russos contra a Ucrânia durante a madrugada desta quinta-feira, até o meio-dia, no horário local, de acordo com as autoridades ucranianas.
*Ivana Kottasová e Katya Krebs, da CNN, contribuíram para esta reportagem



