Em semana decisiva, população do Recife sai às ruas pelo fim da escala 6×1, neste domingo (24); veja a posição dos deputados federais pernambucanos
Na tarde deste domingo (24), milhares de pernambucanos devem tomar as ruas do centro do Recife em manifestação pedindo o fim da escala de trabalho 6×1. O ato político-cultural tem concentração marcada para as 14 horas, na rua da Aurora, e deve sair em caminhada até o Marco Zero. Na última semana de maio, a Câmara Federal deve votar uma PEC para reduzir o regime máximo de trabalho permitido por lei, hoje de 44 horas semanais divididos em até seis dias, com apenas um dia de descanso por semana. Na segunda-feira (25), uma comissão vota um relatório sobre o tema, sendo esta a última etapa antes da votação decisiva.
Em Pernambuco, os três pré-candidatos ao governo do estado — Ivan Moraes (Psol), João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) — são favoráveis à redução da escala e da jornada de trabalho. Mas quem vota são os deputados federais. Entre os 25 representantes de Pernambuco na Câmara, 15 se posicionaram a favor da mudança na lei, enquanto nove se mostraram contrários à redução da jornada e um ainda não deu declarações públicas sobre o tema. Veja abaixo as posições públicas dos representantes pernambucanos na Câmara.
A votação desta segunda-feira se dá no âmbito da “comissão especial sobre o fim da Escala 6×1 e Vida digna ao trabalhador”, grupo que conta com 39 deputados titulares — entre eles, o pernambucano Túlio Gadelha (PSD). Entre os suplentes estão Felipe Carreras (PSB), Fernando Bezerra Coelho Filho (União Brasil), também representantes de Pernambuco em Brasília.
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que será votada é a junção de duas PECs anteriores: a de nº 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT de Minas Gerais), que reduzia a jornada máxima para 36 horas gradualmente, ao longo de 10 anos, com compensação para empresários; e a PEC nº 8/2025, de autoria da deputada Érika Hilton (Psol de São Paulo), também estabelecendo o teto em 36 horas semanais, mas divididas em até 4 dias (escala 4×3), mantendo possibilidades de negociação coletiva de trabalhadores (via sindicatos) e patrões.
A manifestação em Pernambuco é convocada pelas frentes de organizações da sociedade civil Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento Sem Terra (MST), a União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), o Partido dos Trabalhadores (PT), o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e outras organizações populares do estado.
Apesar de ser uma reivindicação antiga da classe trabalhadora organizada, vocalizada há décadas pelos sindicatos, o tema só entrou no debate público entre os trabalhadores mais precarizados após um balconista de farmácia chamado Rick Azevedo publicar uma série de vídeos nas redes sociais. Ao receber apoio de outros trabalhadores precarizados, Azevedo iniciou uma coleta de assinaturas online e uma campanha que se tornaria o movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Após muita pressão da população, apoiada por setores da esquerda organizada, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) transformou o clamor em PEC.
Entre os 213,5 milhões de habitantes do Brasil, 110 milhões (51,5% do total) estão em idade produtiva (de 15 a 60 anos). No primeiro trimestre de 2026, o país possuía 102 milhões de pessoas trabalhando (92,7% da população em idade produtiva), sendo 60 milhões no regime CLT (59% dos trabalhadores e 28% da população total). Entre esses trabalhadores de carteira assinada, cerca de 20 milhões (33% dos CLTs, 20% dos trabalhadores ativos e 9,4% da população) trabalham na escala 6×1.
Apesar da pressão popular, já que 71% dos brasileiros quer a redução da escala e jornada de trabalho, cinco deputados federais pernambucanos assinaram uma emenda ao projeto visando adiar por pelo menos 10 anos a redução da escala e, pior, permitir jornadas de até 52 horas semanais. Augusto Coutinho (Republicanos), Clarissa Tércio (PP), Coronel Meira (PL), Pastor Eurico (PSDB) e Fernando Bezerra Coelho Filho (União Brasil) apoiam a medida.



