Acesso a financiamento ainda é desafio para indústria audiovisual brasileira | Empresas
O acesso a financiamento, inclusive a programas apoiados pelo Estado, e um ambiente mais estável para atrair capital privado estão entre os principais desafios da indústria audiovisual brasileira, segundo especialistas do setor que participaram nesta quarta-feira (27) de painéis sobre o tema no Rio2C, encontro de criatividade, inovação e negócios da América Latina, que começou na terça-feira e vai até domingo (31), no Rio.
No painel “O Brasil no mapa de investimento”, representantes da indústria audiovisual discutiram novos mecanismos de financiamento e estratégias para ampliar a atração de capital para o setor no Brasil. Estiveram presentes executivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Nacional do Cinema (Ancine), da SPCine e da RioFilme. Os painelistas defenderam maior previsibilidade regulatória e integração entre o governo federal e os governos locais.
Nova política do audiovisual quer dobrar participação do setor no PIB e ampliar acesso a crédito
Marconi Viana, gerente de pesquisa e planejamento do BNDES, disse que o banco trabalha para consolidar o audiovisual como indústria, ampliando o acesso do setor a instrumentos de financiamento: “No momento que o setor passa a se enquadrar como indústria, ele pode recorrer a vários outros tipos de instrumentos de benefício público.”
Segundo ele, o banco também busca desenvolver modelos capazes de atender empresas menores e projetos em estágio inicial: “O crédito funciona para empresas mais consolidadas, mas ainda existe dificuldade para empresas menores, porque o audiovisual é uma economia baseada em intangíveis”, afirmou.
Na mesa, o gerente do BNDES lembrou que o banco atua no setor desde 1995, e destacou o programa BNDES FSA Audiovisual, lançado em 2024 em parceria com a Ancine e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Viana afirmou ainda que a intenção é transformar os atuais mecanismos em políticas permanentes.
“A ideia é que isso deixe de ser uma política de governo e passe a ser uma política de Estado”, disse Marconi Viana.
Leonardo Edde, presidente da RioFilme, afirmou que o setor precisa construir um ambiente mais estável para atrair capital privado: “A gente precisa gerar segurança para os investidores. Sem diversidade de fontes e planejamento claro, é impossível gerar previsibilidade.”
Outra mesa realizada nesta quarta-feira (27) no evento abordou os impactos do edital “Arranjos regionais”, conduzido pelo Ministério da Cultura e pela Ancine. O programa prevê R$ 520 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual e outros R$ 111 milhões em contrapartidas estaduais e municipais, totalizando cerca de R$ 630 milhões em investimentos.
Fabiana Trindade, secretária de financiamento da Ancine, disse que a iniciativa fortalece a coordenação entre União, Estados e municípios. “A gente deixa de fazer uma política pontual para fazer uma política de Estado realmente, com continuidade e planejamento estratégico”, afirmou.
Segundo dados apresentados na mesa, foram selecionados 41 arranjos regionais, envolvendo 24 Estados e 17 municípios.
Representando o Ceará, Jade Romero, secretária da Cultura do Estado, afirmou que os investimentos no audiovisual cearense passaram de R$ 9,8 milhões em 2022 para R$ 35 milhões previstos em 2026, considerando os arranjos regionais: “O audiovisual deixou de ser uma política pontual para virar um ecossistema permanente, descentralizado e articulado”, disse.



