Guarulhos registra taxa de 12 homicídios por 100 mil habitantes, aponta Atlas da Violência
Índice de Guarulhos aparece abaixo de outros grandes municípios paulistas citados no levantamento, como São Paulo, Campinas e Santo André
O Atlas da Violência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que Guarulhos ocupa a 36ª posição entre os 80 municípios paulistas com mais de 100 mil habitantes no ranking de homicídios por 100 mil moradores. Segundo o levantamento, a cidade registrou taxa estimada de 12 homicídios por 100 mil habitantes em 2025.
De acordo com os dados, foram contabilizados 83 homicídios na cidade no período analisado, além de 79 homicídios ocultos — categoria utilizada para mortes violentas com causa indeterminada, geralmente relacionadas à ausência de investigação conclusiva ou perícia detalhada. Com isso, a estimativa é de que Guarulhos tenha registrado cerca de 162 assassinatos no ano.
O índice de Guarulhos aparece abaixo de outros grandes municípios paulistas citados no levantamento, como São Paulo (15,3 homicídios por 100 mil habitantes), Santo André (20) e Campinas (14).
Especialista avalia cenário
Para o professor de Gestão Pública do ENIAC e sociólogo Arthur Sinnhofer, Guarulhos apresenta um cenário de violência considerado controlado dentro do contexto latino-americano. Segundo ele, a cidade possui indicadores próximos aos de Bogotá, que registra cerca de 15 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a Cidade do México apresenta média próxima de 10. Arthur também comparou o cenário com Caruaru, que possui quase 30 homicídios por 100 mil habitantes.
“Guarulhos não vive uma situação calamitosa, mas ainda há espaço para políticas públicas que reduzam esses índices”, avaliou.
O especialista afirmou ainda que Guarulhos reflete desigualdades semelhantes às da capital paulista, com regiões de alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), como o Centro, convivendo próximas a áreas mais vulneráveis socialmente, como a comunidade São Rafael, o que impacta diretamente a sensação de insegurança da população.
Segundo ele, o enfrentamento da violência exige ações multidimensionais envolvendo educação, assistência social, urbanismo e fortalecimento da relação da população com a cidade.


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