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redes sociais são “drogas” e Brasil exemplifica colapso da confiança democrática

redes sociais são “drogas” e Brasil exemplifica colapso da confiança democrática

redes sociais são “drogas” e Brasil exemplifica colapso da confiança democrática

O jornalista Thomas L. Friedman – Foto: gettyimages

O jornalista Thomas Friedman, colunista do New York Times e vencedor de três Prêmios Pulitzer, afirmou nesta terça-feira (2), durante o Fórum Jurídico de Lisboa, que as redes sociais funcionam como “drogas” capazes de corroer os pilares da democracia. Ao discutir os efeitos da polarização política, ele citou o Brasil como um dos exemplos mais evidentes da crise de confiança que atinge sociedades ao redor do mundo.

Segundo Friedman, a democracia depende de dois elementos fundamentais: verdade e confiança. Sem consenso mínimo sobre os fatos e sem confiança entre cidadãos e instituições, torna-se impossível manter a coesão social e a capacidade de ação coletiva.

“As redes sociais são inimigas da verdade e da confiança. O Facebook não está no negócio de notícias. O Twitter não está no negócio de notícias. O modelo de negócio deles não é te informar, é te provocar. Provocar para que você fique na plataforma, e a melhor forma de te provocar é causar raiva”, afirmou.

Ao abordar os efeitos desse modelo, Friedman destacou o caso brasileiro como símbolo de uma tendência global de radicalização política.

O banqueiro André Esteves, o jornalista Thomas Friedman e o ministro Gilmar Mendes durante evento em Lisboa. Reprodução

“No Brasil, temos polarização entre os partidos como nunca antes”, disse o jornalista.

Para Friedman, as plataformas digitais substituíram a lógica da informação pela lógica da indignação, premiando conteúdos capazes de gerar reações emocionais intensas e ampliando divisões políticas e sociais.

Durante o mesmo painel, o colunista também alertou para os riscos da inteligência artificial, que classificou como a maior transformação tecnológica da história da humanidade. Em sua avaliação, a IA não deve ser encarada apenas como uma ferramenta, mas como uma nova forma de inteligência que poderá tomar decisões de maneira autônoma.

“Ou aprendemos a colaborar com ela, ou ela vai nos transformar em seus animais de estimação”, afirmou.

Friedman defendeu ainda que Estados Unidos e China estabeleçam um acordo internacional para definir regras éticas para o desenvolvimento da inteligência artificial. Sem essa coordenação, argumentou, o mundo poderá entrar em uma era de desconfiança tecnológica, na qual países evitarão utilizar sistemas produzidos por rivais geopolíticos.

“A inteligência artificial não é de uso dual. É de uso quádruplo. Posso usar meu agente de IA para cortar a grama do meu vizinho ou destruir a grama do meu vizinho. Mas em breve, meu agente vai decidir sozinho se corta, se destrói a grama dele ou a minha”, exemplificou.

Ao encerrar sua participação, Friedman reconheceu que a cooperação entre Washington e Pequim parece improvável no atual cenário geopolítico, mas afirmou que a alternativa seria ainda mais perigosa.

“EUA e China colaborando em IA: o que poderia ser mais ingênuo do que isso? Só uma coisa: achar que vai ficar tudo bem se a gente não fizer isso”, concluiu.

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