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IA na prevenção de perdas – CartaCapital

IA na prevenção de perdas – CartaCapital

IA na prevenção de perdas – CartaCapital

A Copa do Mundo de 2026 deve movimentar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, mas o volume de consumidores traz consigo um problema que o setor conhece bem: a prevenção de perdas fica mais difícil quando o fluxo nas lojas dispara.

Segundo pesquisa da CNDL, SPC Brasil e Offerwise Pesquisas, cerca de 99,2 milhões de brasileiros planejam comprar produtos ou contratar serviços ligados ao torneio entre junho e julho. O número é expressivo, mas para os varejistas ele também representa risco.

É nesse momento que a tecnologia passa a ocupar uma posição que o monitoramento humano sozinho não consegue mais preencher.

Pressão operacional e oportunidade para furtos

Rodrigo Tessari, CEO da Deconve, startup catarinense voltada para prevenção de perdas no varejo físico, aponta que os períodos de alta movimentação concentram os maiores riscos do setor.

“Os riscos de rupturas de estoque, filas, falhas operacionais, fraudes e furtos crescem nesta alta movimentação, exigindo maior capacidade de monitoramento e resposta em tempo real”, afirma o executivo.

Com as equipes concentradas em abastecimento e atendimento, a visibilidade sobre o que acontece dentro das lojas cai. Tessari resume o problema: “O monitoramento humano sozinho já não consegue acompanhar o volume operacional em períodos críticos.”

Como a inteligência artificial atua na loja física

A adoção de IA no varejo avançou por áreas que vão além da prevenção de perdas. Previsão de demanda, gestão de estoque, logística, definição de preços e tomada de decisão em tempo real já estão no escopo dessas tecnologias.

Para períodos como a Copa, a IA consegue cruzar histórico de vendas, sazonalidade, calendário de jogos, clima e comportamento regional para mapear padrões de consumo e reduzir rupturas ou excesso de mercadorias.

Na operação das lojas físicas, a visão computacional mudou o papel das câmeras de segurança. “A câmera deixa de ser apenas um sistema de registro e passa a funcionar como uma camada de inteligência operacional”, diz Tessari.

Prevenção de perdas com câmeras e reconhecimento facial

Entre as tecnologias que devem ter mais uso durante grandes eventos estão a visão computacional, o reconhecimento facial, a autenticação biométrica, a previsão automatizada de demanda e o monitoramento de filas, rupturas de gôndolas e áreas congestionadas.

A Deconve opera uma base colaborativa com mais de 15 mil cadastros de pessoas com histórico de furtos no varejo. Esse banco de dados é alimentado pelos próprios varejistas participantes da rede. Uma ocorrência registrada em uma loja contribui para a identificação de reincidências em outras operações parceiras.

Ao ingressar na plataforma, uma nova loja já tem acesso imediato ao histórico acumulado de toda a rede, o que amplia a capacidade de resposta especialmente durante a Copa do Mundo.

Redes colaborativas mudam o alcance da prevenção de perdas

Para Tessari, a mudança mais relevante não está apenas na tecnologia em si, mas no modelo de compartilhamento de informação entre diferentes operações.

“A combinação entre inteligência artificial, visão computacional e inteligência colaborativa tem mudado a forma como o varejo enfrenta perdas. A capacidade de antecipar riscos e compartilhar conhecimento entre diferentes operações é o diferencial importante para o setor”, afirma.

O varejo que chegar à Copa de 2026 com sistemas de prevenção de perdas integrados a redes colaborativas sai à frente, especialmente nos dias de jogo, quando o fluxo nas lojas tende a concentrar os maiores desafios operacionais.

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