descubra as belezas da Serra Catarinense durante todo o ano
A Serra Catarinense é frequentemente reduzida, no imaginário coletivo brasileiro, a um destino sazonal, buscado quase exclusivamente durante o inverno. No entanto, a região guarda características raras no cenário turístico nacional: paisagens pouco alteradas, municípios de pequeno porte e uma rotina que escapa ao turismo de massa. Longe dos holofotes das temperaturas negativas, o planalto serrano revela um ecossistema rico em campos de altitude, cânions imponentes e uma cultura tropeira que se mantém viva.
Embora as imagens de geada em São Joaquim ou da cascata congelada em Urupema dominem os noticiários, limitar a visita aos meses mais frios é ignorar a diversidade que a região oferece. Nas estações de transição e no verão, o clima ameno favorece a exploração de trilhas, mirantes e estradas cênicas, consolidando a Serra como um polo de experiências ao ar livre e enoturismo de alta qualidade.
Lages como porta de entrada e centro estratégico
Como maior município da região, Lages desempenha um papel fundamental na logística do viajante. Historicamente ligada ao tropeirismo, a cidade oferece um mergulho cultural que vai além do centro urbano. O Centro Cultural Vidal Ramos e a Catedral Diocesana de Nossa Senhora dos Prazeres, construída com pedra polvilhada no século 19, são paradas obrigatórias para quem busca entender a formação histórica do planalto.
A estratégia de explorar a região ganha força ao utilizar Lages como base. A conectividade aérea, com voos regulares da Gol ligando a cidade a São Paulo, facilitou o acesso de turistas que buscam roteiros de natureza e vinhos de altitude. No entorno, a Coxilha Rica surge como um refúgio ainda pouco explorado, onde a paisagem de campos nativos e araucárias convida ao descanso e à contemplação.
Turismo rural e a força da gastronomia local
O turismo rural na Serra Catarinense não é apenas uma atividade econômica, mas uma forma de preservação do modo de vida interiorano. Fazendas históricas, como as que compõem o roteiro do Boqueirão, abriram suas porteiras para visitantes que desejam vivenciar a rotina do campo. Essa aproximação permite que o turista entenda a origem dos produtos que chegam à mesa.
A gastronomia é um capítulo à parte, com o pinhão, semente da araucária, atuando como protagonista. O ingrediente, que se tornou um símbolo cultural, é a base de pratos que reforçam a identidade regional. Essa integração entre agricultura, cultura e hospitalidade cria uma experiência autêntica, distante da padronização dos grandes centros turísticos.
Aventura e natureza em Urubici
Para quem busca cenários de tirar o fôlego, Urubici é o destino que concentra alguns dos pontos mais altos do país. O Morro da Igreja, famoso por ter registrado a temperatura mais baixa da história oficial do Brasil, com -17,8°C em 1996, oferece uma vista panorâmica que, em dias de céu limpo, permite enxergar o litoral a mais de 100 quilômetros de distância.
A partir do topo, é possível contemplar a Pedra Furada, uma formação rochosa icônica situada dentro do Parque Nacional de São Joaquim. Embora o acesso seja gratuito, a gestão da visitação exige agendamento prévio junto ao ICMBio, garantindo a preservação ambiental e a segurança dos visitantes. Seja para o rapel, a escalada ou simplesmente para a contemplação, a cidade reafirma a vocação da Serra para o turismo de aventura.
O Fato Paulista segue acompanhando os principais destinos turísticos do Brasil, trazendo reportagens aprofundadas sobre cultura, natureza e economia regional. Continue conosco para descobrir novos roteiros e entender as transformações que moldam o turismo nacional.


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