Rio de Janeiro: disputa pelo Senado tem direita dividida
A doze dias do fim do prazo para os partidos definirem as candidaturas ao Senado Federal em convenções estaduais, o que deve ser feito até 5 de agosto, as indicações no campo ideológico da direita para as duas vagas em disputa seguem indefinidas no Rio de Janeiro.
O estado é berço político do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo apoio foi decisivo na escolha de senadores nas duas últimas eleições.
O Partido Liberal (PL) rachou, ameaçou sair com chapa pura e, agora, formaliza o projeto de reeleição do senador Carlos Portinho, que até mês passado era cotado para a Câmara dos Deputados. Ele será confirmado nesta sexta-feira (24), em convenção na sede da legenda no centro da capital fluminense.
A segunda vaga seja do PL ou de algum partido aliado seguirá indefinida na chapa do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro. Ele será referendado como candidato neste sábado (25), em São Paulo.
Aliados abatidos
O filho do ex-presidente fechava apoio ao ex-prefeito de Belford Roxo, Marcelo Canella (União Brasil). A negociação caiu após a 6ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, acusar Canella de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro no mercado de combustíveis estimado em R$ 7,6 bilhões.
O nome do ex-prefeito era parte da costura para a campanha presidencial coligar com a federação PP-União. Os partidos decidiram nesta semana manter a neutralidade na disputa nacional.
Canella foi o segundo aliado de Flávio abatido por operação policial. O ex-governador Cláudio Castro (PL) desistiu da candidatura após ser duas vezes alvo da PF por supostos desvios em investimentos da Rio Previdência no Banco Master.
A desarticulação da direita fluminense, porém, pode levar Canella a insistir na candidatura. É o que deseja o presidente nacional do União, o advogado pernambucano Antônio Rueda. Ele transferiu o domicílio eleitoral para o Rio e pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados com apoio de ex-prefeito — nome forte na Baixada Fluminense.
Racha no PL
As baixas abriram uma disputa interna acirrada na legenda bolsonarista. O deputado federal Carlos Jordy disputou a indicação ao Senado até o limite.
O parlamentar desistiu nesta quarta (22) a pedido de Flávio. Jordy tentará renovar o mandato na Câmara.
“Acima de qualquer coisa, nós temos que deixar vaidade, egos, orgulhos, projetos pessoais de lado em prol do projeto de resgate da nação com o Flávio Bolsonaro”, anunciou em rede social na quarta (22)
A crise levou o PL a cogitar a composição de uma chapa única. No final, a escolha de Portinho foi decidida como mais natural por ele já ser senador. Enquanto isso, a legenda segue negociando com outros partidos visando uma aliança para a corrida presidencial.
Crivella surge
O ex-prefeito do Rio e, agora, deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos) entrou no páreo no início do mês. Em 2024, ele foi tornado inelegível até 2028 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) por supostamente integrar o chamado “QG da Propina” criado durante sua gestão na prefeitura (2017-2020).
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça concedeu liminar suspendendo a inelegibilidade até julgamento definitivo do caso. Em algumas pesquisas eleitorais, O ex-prefeito aparece em segundo lugar.
Crivella pode ter o ex-governador Anthony Garotinho como cabo eleitoral. A executiva estadual do Republicanos confirmou por unanimidade a pré-candidatura dele ao Palácio Guanabara. A escolha precisa ser aprovada em convenção prevista para este sábado.
Esquerda organizada
No campo político oposto, a esquerda e a centro-esquerda fluminense estão mais organizadas. A ex-governadora Benedita da Silva (PT) lidera as pesquisas de intenção de votos para o Senado.
No início de julho, o Instituto Paraná Pesquisas apontou 33% das intenções de voto na petista. Crivella apareceu em segundo, com 25,9%, tecnicamente empatado na margem de erro de 2,5% com o nome da centro-esquerda: o deputado Pedro Paulo (PSD), que marcou 21,5%. Canella pontuou 21,9%.
A Real Time Big Data concluiu nesta quinta-feira (23) uma nova pesquisa, conforme registro no TSE. Os números ainda não foram divulgados.



