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Caso Master: Mendonça e Moraes em rota de colisão no STF

Caso Master: Mendonça e Moraes em rota de colisão no STF

Caso Master: Mendonça e Moraes em rota de colisão no STF

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (1º). O ministro André Mendonça pediu que o relatório da Polícia Federal sobre o Caso Master seja levado ao plenário da Corte. O documento aponta supostos encontros entre o banqueiro José Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

O pedido de Mendonça foi endereçado ao ministro Luiz Fachin, relator do inquérito que investiga o Banco Master. A intenção é que todos os 11 ministros do STF analisem as provas reunidas pela PF antes de qualquer decisão individual.

Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil e pelo Estadão, a conversa entre Mendonça e Moraes foi “dura e ríspida”. Os dois ministros trocaram farpas nos bastidores do tribunal. Mendonça argumenta que o caso tem repercussão institucional e não pode ser tratado isoladamente por um único relator.

Revelações das mensagens de Vorcaro

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro, banqueiro preso desde maio, trouxeram à tona uma série de revelações. De acordo com relatos da imprensa, Vorcaro autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos de Moraes. A informação consta em prints de conversas divulgados parcialmente pela Polícia Federal.

As investigações também sugerem que Moraes se encontrou com Vorcaro um dia antes da prisão do banqueiro. Em uma das mensagens, Vorcaro pergunta: “Acha que 2ª tenho que estar fora?”, referindo-se a deixar o País dois dias antes de ser preso. A resposta de Moraes, segundo a PF, ainda está sob análise pericial.

Outro ponto que chama atenção é a relação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o banqueiro. Mensagens indicam que Gonet disse sentir “saudades” de Vorcaro e o chamou de “máquina”. Um ex-advogado teria intermediado encontros entre Gonet e Vorcaro, regados a uísque e charuto, segundo a CNN Brasil.

Campos do Jordão e a experiência “ultra VIP”

Vorcaro também pediu uma “experiência completa” para hóspedes “ultra VIP” em Campos do Jordão, no interior de São Paulo. A cidade serrana é um dos destinos preferidos de ministros do STF. O Banrisul, que administra o resort onde supostamente ocorreram os encontros, disse que colabora com as investigações.

O envolvimento do nome de Campos do Jordão no escândalo tem repercussão direta em São Paulo. A cidade, tradicional refúgio da elite paulistana, agora aparece no centro de uma das maiores crises do Judiciário brasileiro.

Mendonça contra Moraes: o que está em jogo

Nos bastidores do STF, a avaliação é que o tribunal perde institucionalmente tanto se abrir um inquérito formal contra Moraes quanto se arquivar os indícios. O ministro Mendonça, conhecido por sua postura evangélica e conservadora, tem se posicionado como uma voz crítica dentro da Corte.

Mendonça sugeriu aos colegas que os novos elementos apresentados pela PF sejam analisados em plenário. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de parte dos ministros, que temem o desgaste político da instituição a menos de um mês do primeiro turno das eleições.

O caso Master começou com a investigação de um esquema de fraudes financeiras que teria movimentado bilhões de reais. Desde então, as revelações se multiplicaram, envolvendo não apenas o banqueiro Vorcaro, mas também autoridades do Judiciário e do Ministério Público.

Impacto nas eleições de São Paulo

A crise no STF tem efeitos diretos na política paulista. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de primeira hora de Bolsonaro, evita comentar o caso. Já o candidato petista Fernando Haddad vê no escândalo uma oportunidade de criticar o que chama de “judicialização da política”.

Para os candidatos ao Senado por São Paulo, o tema é delicado. Enquanto Marina Silva (Rede) defende a investigação completa, aliados de Bolsonaro tentam minimizar o impacto das revelações. O deputado federal André do Prado (PL), candidato ao Senado, tem evitado falar sobre o assunto durante a campanha.

O eleitor paulista, no entanto, acompanha de perto os desdobramentos. Pesquisas de opinião recentes indicam que a confiança no Judiciário caiu nos últimos meses, especialmente entre os eleitores mais jovens e com maior nível de escolaridade.

O que esperar daqui para frente

O STF deve retomar o assunto nas próximas sessões. Fachin, como relator, tem a palavra final sobre o pedido de Mendonça. Se acatado, o plenário analisará as provas e decidirá se abre ou não um inquérito formal contra Moraes.

Enquanto isso, a Polícia Federal continua as investigações. Novos prints de conversas e depoimentos devem ser anexados nos próximos dias. O banqueiro Vorcaro permanece preso, e sua defesa tenta um habeas corpus no STJ.

O caso Master, que começou como uma investigação financeira, se transformou no maior escândalo institucional desde a Lava Jato. Desta vez, porém, o alvo não são políticos e empreiteiros, mas o próprio Judiciário.

Com informações de CNN Brasil, Estadão e G1.

RedeBrasil

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