×

Moraes acusa Mendonça de crimes e escancara crise no STF

Moraes acusa Mendonça de crimes e escancara crise no STF

Moraes acusa Mendonça de crimes e escancara crise no STF

A crise no Supremo Tribunal Federal atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (3). O ministro Alexandre de Moraes usou o inquérito das fake news para acusar formalmente o colega André Mendonça de crimes como improbidade administrativa e abuso de autoridade. O pedido, enviado ao presidente da corte, Edson Fachin, solicita a abertura de ação contra o magistrado.

crise no STF — ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no plenário do Supremo Tribunal Federal

A decisão, assinada na noite de quinta, é mais um capítulo de um embate que se intensificou ao longo da semana e que já mobiliza os bastidores políticos e judiciais do país. A crise no STF expõe um racha entre ministros que pode ter consequências diretas para o processo eleitoral de 2026.

Segundo Moraes, relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam três principais condutas de Mendonça: interferência na condução de investigações, participação irregular em tratativas de delação premiada e direcionamento de alvos por “motivos pessoais e políticos”. Entre os supostos alvos estariam o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

O que motivou o pedido de Moraes

A acusação de Moraes tem como base relatórios da PF sobre a atuação de Mendonça em duas operações: a Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS, e a Compliance Zero, ligada ao Banco Master. Os documentos sugerem que o ministro teria demonstrado “interesse no início de investigação formal” contra Moraes e supostamente pediu mais de uma vez que investigadores apresentassem alguma provocação para que uma apuração contra o colega avançasse.

Um dos relatórios levanta ainda a hipótese de que Alcolumbre seria um “provável alvo estratégico” por sua força política e pelo controle da pauta do Senado, especialmente em relação ao processamento de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

Moraes sustenta ainda que Mendonça teria adotado posturas diferentes diante de informações envolvendo integrantes do próprio STF. Segundo um dos relatórios, Mendonça apresentava uma posição de “defesa” em relação a Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, enquanto demonstrava interesse em fazer avançar uma investigação envolvendo Moraes.

PF aponta estratégia de poder

Em relatório sigiloso ao qual a CNN Brasil teve acesso, a Polícia Federal aponta indícios de que Mendonça tenta “ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal” e que se encontra em “estratégia agressiva” de alteração da correlação de forças no Judiciário. O documento cita como exemplo o apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a Suprema Corte, indicação que foi recusada pelo Senado em abril.

O documento ainda sugere que Mendonça atua para enfraquecer o “grupo de ministros que atuou firmemente em defesa da democracia”, referindo-se aos integrantes da Primeira Turma da corte, formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Carmen Lúcia.

Segundo a PF, Mendonça teria afirmado em reuniões que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mantém “proximidade inadequada” com o presidente Lula e que, por essa razão, “não seria possível confiar nele”.

Repercussão política

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse, ainda na quinta-feira, que “alguma ação ilegal” estaria sendo articulada contra ele para reagir às revelações feitas por Mendonça e desgastá-lo eleitoralmente. Segundo Flávio, isso teria acontecido após Moraes e Alcolumbre conversarem longamente na quarta-feira (2) e articularem com o também ministro Flávio Dino.

“Caso se confirme, é a comprovação de que o Brasil virou uma várzea, terra sem lei, onde os que se acham donos do país armam farsas contra seus adversários”, afirmou o senador e candidato.

A crise no STF ocorre em um momento delicado para o processo eleitoral. Com as eleições presidenciais marcadas para outubro, qualquer instabilidade no Supremo pode ter impacto direto na disputa. A corte é responsável por julgar questões cruciais relacionadas à legislação eleitoral e a eventuais impugnações de candidaturas.

O que esperar daqui para frente

O pedido de Moraes agora está nas mãos de Edson Fachin, presidente do STF, que decidirá se abre ou não ação contra Mendonça. Caso a ação seja aberta, o plenário do Supremo terá que se posicionar sobre as acusações, o que pode aprofundar ainda mais a crise na corte.

Paralelamente, a PF indicou que pode solicitar novo depoimento de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, cuja delação está no centro do conflito entre os ministros. Vorcaro disse em depoimento que recebeu diretores do Banco Central em sua casa em São Paulo e Brasília para tratar da instabilidade do banco.

O desfecho desse embate pode redefinir a correlação de forças no STF e influenciar diretamente o cenário político nas eleições que se aproximam. Para saber mais sobre a disputa presidencial, confira Flávio Bolsonaro tem 45% e Lula 44% em eventual 2º turno, diz PoderData/Aya.

Com informações da CNN Brasil

RedeBrasil

Publicar comentário