Tom Aspinall abre mão do cinturão peso-pesado do UFC
O topo da divisão dos pesos-pesados do Ultimate sofreu uma reviravolta expressiva. Através de um longo e emocionante comunicado publicado em seu ‘Instragram’ (veja abaixo), o campeão linear Tom Aspinall anunciou que tomou a decisão de abrir mão de seu cinturão. O britânico revelou que problemas contínuos na visão, agravados por cirurgias, infecções e um novo acidente recente durante os treinos de sparring, impediram sua liberação médica para retornar ao octógono.
A decisão de vagar o título foi motivada pela intenção de não paralisar o andamento da categoria enquanto busca a recuperação total. Aspinall ressaltou que manteve a diretoria do UFC e o diretor de negócios Hunter Campbell informados sobre todas as etapas do processo médico, mas reconheceu que o cenário atual exige um tempo indeterminado longe das competições.
“Tomei a decisão de vagar o cinturão dos pesos-pesados. Pedi ao UFC para me permitir fazer esta declaração porque não quero travar a divisão. Sei como é ter a carreira pausada e quero que os outros lutadores tenham a oportunidade de disputar o título“, declarou.
Sequelas
No desabafo, Aspinall também criticou indiretamente a condução da arbitragem em combates anteriores, apontando que parte considerável das complicações enfrentadas no olho direito foi consequência direta de infrações sofridas dentro do cage. Apesar do impacto emocional de abrir mão do cinturão que buscava desde a infância, o atleta garantiu que o afastamento não representa uma aposentadoria definitiva das artes marciais mistas.
“Afastar-me do título não é me afastar do esporte ou do sonho. Continuarei fazendo tudo o que puder para me recuperar, obter liberação médica e voltar a competir o mais rápido possível. Estarei de volta assim que estiver clinicamente apto“, concluiu.
Com o título linear vago, o cenário da divisão dos pesos-pesados ganha novos contornos, abrindo caminho para que a cúpula do UFC reestruture o casamento de lutas pelo topo da categoria nos próximos eventos. Com isso, uma possível revanche entre Alex ‘Poatan’ e Ciryl Gane, atual campeão interino da categoria, pode ganhar força nos bastidores.
Leia o comunicado na íntegra
“Qualquer coisa que vocês leiam na mídia é simplesmente barulho. As pessoas estão criando suas próprias narrativas. Esta é a verdade:
Complicações contínuas nos meus olhos significam que não posso obter liberação médica para lutar neste momento.
Passei por múltiplas cirurgias, acidentes e infecções, e fiz tudo o que era possível para voltar a competir.
Eu já tinha concordado anteriormente com uma data de luta e estava de volta aos treinos de sparring, sentindo-me ótimo e pronto para competir, quando um acidente causou danos adicionais ao meu olho direito. Isso significa mais tempo longe do esporte e, neste momento, a data do meu retorno é incerta.
Sei que surgiram dúvidas sobre o motivo de eu estar tão em silêncio. Sempre segui os conselhos do UFC e foquei na minha recuperação enquanto tentávamos fazer isso acontecer.
Agora, tomei a decisão de vagar o cinturão dos pesos-pesados. Pedi ao UFC para me permitir fazer esta declaração porque não quero travar a divisão dos pesados. Sei como é ter a carreira pausada e quero que os outros lutadores tenham a oportunidade de disputar o título.
O UFC e Hunter foram informados a cada passo do caminho e viram os exames, procedimentos e informações médicas referentes aos meus olhos. Trabalhamos de perto com diferentes médicos e especialistas para tentar viabilizar meu retorno, mas, infelizmente, simplesmente não é possível agora.
Estou absolutamente arrasado. Venho perseguindo esse sonho desde os 10 anos de idade.
Eu não acabei.
Afastar-me do título não é me afastar do esporte ou do sonho. Continuarei fazendo tudo o que puder para me recuperar, obter liberação médica e voltar a competir o mais rápido possível.
O que torna isso particularmente difícil é que muitas das complicações com as quais estou lidando são resultado de golpes ilegais que mudaram o rumo da minha carreira. Os lutadores dependem dos árbitros para fazer cumprir as regras e nos proteger nesses momentos, e é duro ainda ter que lidar com as consequências hoje.
Obrigado a todos que me apoiaram ao longo deste absoluto pesadelo.
Estarei de volta assim que estiver clinicamente apto.
Tom”


