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Crédito bancário sobe 8,9% e inadimplência preocupa

Crédito bancário sobe 8,9% e inadimplência preocupa

Crédito bancário sobe 8,9% e inadimplência preocupa

O crédito bancário deve crescer 8,9% no Brasil em 2026. A projeção é da Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas de setembro, feita com 20 instituições financeiras. O número fica próximo da estimativa de 9,1% do Banco Central. No entanto, o mesmo levantamento acende um alerta: a inadimplência preocupa cada vez mais os bancos.

Crédito bancário deve crescer 8,9% em 2026

O avanço do crédito será desigual entre as modalidades. As operações com recursos direcionados devem crescer 11% neste ano. Essas linhas incluem o financiamento imobiliário e programas para micro, pequenas e médias empresas. Já o crédito livre, em que os bancos definem as condições com mais autonomia, deve avançar em ritmo menor.

O crédito direcionado a empresas passou de 12,9% em agosto para 13,4% em setembro. Entre as famílias, a previsão subiu de 9,4% para 9,6%. No crédito livre, as projeções recuaram. A estimativa para pessoas jurídicas caiu de 3,9% para 3,5%. A previsão para pessoas físicas passou de 10,1% para 9,6%.

Dentro da carteira direcionada, a expansão deve vir principalmente das empresas. Os programas governamentais voltados a micro, pequenas e médias empresas sustentam essa projeção. Entre as famílias, o financiamento imobiliário puxa a alta e mantém a estimativa perto de dois dígitos no ano.

No crédito livre, o ambiente é mais contido. Os juros elevados e a concorrência entre os bancos limitam o apetite pelas concessões. As instituições também observam o comprometimento da renda das famílias antes de ampliar as operações.

Para o economista Rubens Sardenberg, da Febraban, o crédito deve crescer em bom ritmo. Ele aponta os recursos direcionados como motor principal. Sardenberg destaca as operações para empresas, diante dos programas governamentais. Ele também cita o mercado de trabalho aquecido e o avanço do consignado privado e imobiliário entre as famílias.

A distância entre os dois segmentos cresceu nos últimos anos. Em 2024, as linhas livres e direcionadas avançaram em ritmos próximos, de 11,3% e 11,9%. Em 2025, a diferença aumentou. O crédito livre cresceu 8,6%, enquanto o direcionado avançou 12,5%. Entre as empresas, o contraste foi ainda maior. O crédito livre subiu apenas 2,3%, e o direcionado saltou 18,4%.

Inadimplência da carteira livre preocupa os bancos

A deterioração da qualidade do crédito é um dos principais fatores de atenção. A expectativa para a inadimplência da carteira livre subiu de 5,8% para 6,1% no fim de 2026. O cálculo considera atrasos superiores a 90 dias. Para 2027, a previsão passou de 5,6% para 5,9%. Segundo a Febraban, o movimento reflete o alto endividamento das empresas e das famílias.

O salto é significativo. A inadimplência da carteira livre terminou 2024 em 3%. Subiu para 4,1% em 2025 e agora caminha para 6,1% neste ano. Em agosto, 38,1% dos bancos acreditavam que a inadimplência das famílias continuaria subindo. Agora, são 65%.

Os dados do Serasa reforçam o cenário. Cerca de 83,9 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, o equivalente a aproximadamente 51% da população adulta. A dívida média por pessoa gira em torno de R$ 6.814. Além disso, o total de empresas com dívidas em atraso superou 9,1 milhões de CNPJs em 2026.

Apenas 5% das instituições acreditam que a inadimplência começará a ceder. A proporção dos que esperavam estabilidade caiu de 57,1% para 30%.

O que esperar daqui para frente

Apesar da expansão, os bancos veem perda de velocidade no segundo semestre. A maioria, 55%, acredita em uma desaceleração gradual. Em agosto, esse grupo era de 76,2%. Outros 30% preveem uma desaceleração maior, contra 19% na pesquisa anterior. A avaliação é de que o ritmo dos programas governamentais tende a se acomodar.

O crescimento do crédito total já perde fôlego. Passou de 11,5% em 2024 para 10,2% em 2025. A projeção agora é de 8,9% em 2026 e 7,4% em 2027. Nas linhas livres, os bancos projetam alta de 5,1% para empresas e 7,4% para as famílias. No direcionado, as estimativas são de 9,6% para empresas e 7,9% para pessoas físicas.

Para 2027, a projeção da carteira total caiu de 7,5% para 7,4%. A revisão veio das operações livres, cuja previsão recuou de 6,6% para 6,4%. A expectativa para os recursos direcionados ficou estável em 8,5%.

A inflação também preocupa. Metade das instituições acredita que o IPCA terminará 2026 acima de 4,9%. Na pesquisa anterior, apenas 19% tinham essa avaliação. Entre os motivos estão os estímulos fiscais, os choques de oferta e os efeitos do El Niño. Já os bancos que esperam uma inflação menor apontam a desaceleração da economia e a rápida dissipação do choque do petróleo.

O cenário de juros altos sustenta essa cautela. O Bank of America já projetou a Selic fechando 2026 em 13,25%. A inflação de setembro também veio pressionada. Os dados completos estão na pesquisa divulgada pela Forbes Brasil.

Com informações de Forbes Brasil

RedeBrasil

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