Fed vê inflação global e defende impulso da IA
O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira (16) que a inflação voltou a ser um desafio comum a quase todas as economias e defendeu o avanço da inteligência artificial como motor de produtividade no médio prazo. A declaração foi feita nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Bangkok, na Tailândia.
Warsh disse estar otimista com a forma como as economias globais vêm se mantendo firmes em meio à alta dos preços da energia e ao aumento dos juros promovido pelos bancos centrais para conter a inflação.
Inflação é um “desafio comum”, diz presidente do Fed
O dirigente descreveu o cenário como um problema compartilhado. “É difícil estar em uma discussão com banqueiros centrais e não ouvir a mesma coisa sobre o aumento dos preços”, afirmou, segundo a Forbes Brasil.
Segundo Warsh, os bancos centrais adotaram um aperto sincronizado da política monetária na maior parte do mundo, o que, na avaliação dele, reduz o espaço para aproveitadores. Nos Estados Unidos, ele lembrou que o Fed deixou claro que garantiria a estabilidade de preços e retirou parte do estímulo há cerca de um mês, em referência à alta de juros de setembro.
O presidente do Fed não antecipou a decisão da reunião marcada para os dias 27 e 28 deste mês. Colegas dele, no entanto, têm sinalizado que não esperam uma nova alta agora, mas veem grande probabilidade de elevação em dezembro.
IA eleva a demanda antes de ampliar a oferta
Warsh afirmou que os Estados Unidos e outras economias se beneficiam de um salto nos investimentos ligados à inteligência artificial. Para ele, esses recursos se espalharam por outros setores e criaram um choque de demanda de curto prazo que pressiona a inflação.
O dirigente disse acreditar no impacto positivo da IA sobre o crescimento e a produtividade, mas evitou prometer um caminho simples. “Obviamente estão aumentando a demanda antes de ampliar a oferta”, disse. “Não sabemos qual será o efeito disso no emprego nos próximos 12 ou 18 meses.”
Ele acrescentou que, se a tecnologia tornar os países mais produtivos, o resultado tende a ser positivo no longo prazo. O ganho de produtividade, porém, dependeria de uma trajetória que ele mesmo classificou como muito acidentada.
O que está por trás do aperto global
As reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, realizadas neste ano em Bangkok, reúnem ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais de dezenas de países. É nesse tipo de encontro que os dirigentes costumam alinhar o discurso sobre juros e câmbio, o que explica a repetição do tom sobre inflação relatado por Warsh.
A alta dos preços da energia aparece como o principal ponto de atenção. Insumos mais caros pressionam custos de transporte e de produção e dificultam a queda da inflação mesmo com a política monetária mais dura, cenário que já aparece nos Estados Unidos e na Europa.
Setembro marcou a virada no discurso
Na reunião de setembro, o Fed elevou a taxa de juros e retirou parte do estímulo monetário, no que Warsh descreveu como sinal claro de compromisso com a estabilidade de preços. Desde então, dirigentes da instituição repetem que querem ver mais dados antes de um novo passo.
A leitura predominante entre eles é de que um aperto adicional é provavelmente necessário, mas não imediato. Por isso a expectativa dos mercados recaiu sobre dezembro, e não sobre a reunião de outubro.
Mercado abre sem tendência definida
O último pregão da semana começou sem direção clara. Os contratos futuros dos principais índices americanos e as cotas do ETF EWZ, que acompanha o mercado brasileiro, oscilavam no pré-mercado, sem trajetória definida de alta ou de baixa.
No radar dos investidores, a inflação ao consumidor dos Estados Unidos segue como principal referência do dia. O petróleo e a temporada de balanços de empresas americanas também influenciam o humor dos mercados.
O que observar daqui para frente
A próxima reunião do Fed, em 27 e 28 de outubro, é o primeiro teste do discurso de Warsh. Uma nova alta em dezembro dependeria de dados de inflação mais fortes nas próximas semanas.
No médio prazo, o debate sobre a IA deixa de ser apenas tecnológico e passa a ser econômico. Quanto do investimento atual vira produtividade real, e em quanto tempo, é a pergunta que os bancos centrais ainda não conseguem responder.
No Brasil, o cenário externo de juros altos e dólar firme pesa sobre o câmbio e a inflação, como mostrou o avanço de 0,82% do IPCA em setembro.
Com informações de Forbes Brasil
RedeBrasil



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