Cobras, escorpiões e a Dengue ameaçam moradores no Carrão
Não é de hoje que a ineficiência das Subprefeituras incomoda o paulistano. Seja da Mooca, da Penha, ou mesmo da Aricanduva, Formosa e Carrão, a falta de gente compromissada com as suas funções e com a comunidade implica em problemas estruturais nos bairros, que se acumulam sem solução.
Por isso, é importante que as Subprefeituras se tornem de fato prefeituras locais, com ampla e irrestrita liberdade para administrar seus próprios recursos não apenas no tocante à zeladoria, mas em todas as obras e revitalizações necessárias aos bairros. Você já vai entender o porquê:
Há semanas, moradores da rua Zodíaco, no Jardim Têxtil, encaminharam à redação uma série de reclamações com relação ao Córrego Rapadura. Uma das reclamações é a falta de limpeza frequente e periódica no Córrego, como mostra o seu José Eudes, morador da rua há 15 anos:
“Essa grade de contenção que colocaram à margem do Córrego, isso aí retém muito lixo que depois a Subprefeitura não recolhe. Daí surgem os ratos, cobras, escorpiões, sobem o córrego e invadem as casas em busca de abrigo e comida. Sem contar o fedor que em dias quentes como hoje, ninguém daqui aguenta. E vai correr para onde?”
Questionado se já acionou a sub, seu José responde: “Rapaz, a gente pede, só falta implorar, mas eles vêm com as burocracias deles e no fim, aparecem quando querem. É uma lástima”, desabafa o morador.
Uma moradora da Rua Zodíaco, em frente ao Córrego, também disse: “Aqui, um problema recorrente são os insetos. Mosquito da Dengue tem aos montes, sem contar cobras e escorpiões, eu mesma já matei uma cobrinha que entrou na minha garagem. Seria bom se a Sub viesse dedetizar, limpar com mais frequência, enfim. Mas eles não fazem”.
Nossa reportagem tem tentado diversas vezes ouvir a Subprefeitura Aricanduva, Formosa e Carrão, porém, sem sucesso nas respostas.
Contraste urbano
O cenário é, ao mesmo tempo, alarmante e simbólico. De um lado, imóveis amplos, bem preservados, com fachadas modernas, muros reforçados e soluções arquitetônicas que demonstram cuidado e investimento. Do outro, construções frágeis, vulneráveis à pressão do tempo, sem manutenção e expostas à força da natureza. Apesar das diferenças, todos sofrem com o mesmo problema estrutural: o abandono do poder público.
Como pode em um dos bairros mais populares da capital, haver esse tipo de contraste? Como pode em meio a um comércio tão pujante, um povo tão trabalhador, haver esse tipo de descuido por parte do poder público para com a população?
“Tem dias que eu chego a passar mal aqui no mercado. A situação é ruim para todos, porque o mau cheiro atinge não só a saúde física como também a saúde econômica da região. Em vez de comprar aqui, o pessoal resolve ir para outro lugar mais limpo, só que eu vivo aqui, trabalho aqui, e te falo, tem dias que não consigo nem ficar de pé de tanto mal estar e dor de cabeça”, afirma Karina Correia, que trabalha em um comércio na Dentista Barreto.
O córrego, que deveria receber manutenção periódica para evitar assoreamento, erosão e acúmulo de lixo, parece não contar com a atenção necessária. Galhos, lixo e restos de materiais de construção que desabam aos poucos se misturam à vegetação irregular que toma conta das margens. Esse cenário facilita o abrigo de animais peçonhentos e vetores de doenças, aumentando ainda mais os riscos sanitários.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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