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Imagens de câmeras de segurança contradizem versão de mulher que nega que estava em casa quando marido morreu em Bebedouro, SP

Imagens de câmeras de segurança contradizem versão de mulher que nega que estava em casa quando marido morreu em Bebedouro, SP

Imagens de câmeras de segurança contradizem versão de mulher que nega que estava em casa quando marido morreu em Bebedouro, SP

Imagens de câmeras de segurança contestam depoimento de mulher que nega presença em casa quando marido morreu em Bebedouro, SP

Polícia tem acesso a registros que apontam contradições no testemunho de Jussara Fernandes.

Novas imagens de câmeras de segurança repassadas à Polícia Civil de Bebedouro (SP) contradizem a versão da professora de estética Jussara Luzia Fernandes, que afirmou não estar em casa no momento da morte de seu marido, Walter Carneiro.

O caso ocorreu em 26 de janeiro e passou a ser tratado como homicídio após Jussara confessar ter matado seu namorado, Alex Sandro da Silva Rocha, de 21 anos, a tesouradas e enterrado seu corpo no quintal.

As gravações do sistema de monitoramento de uma residência na mesma rua, no bairro Eldorado, mostram Jussara saindo de casa às 8h07. Às 9h21, ela é vista descartando lixo de sua própria lixeira na lixeira da casa vizinha. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local às 9h30, após ser acionado por Jussara.

À EPTV, afiliada da TV Globo, a advogada Isabela Feloni, que representa a família de Walter, afirmou que essas novas informações podem ser utilizadas como evidências de que Jussara mentiu em seu depoimento ao afirmar que encontrou o marido morto.

“Nós acreditamos que possa ter havido uma ocultação de provas. Como ela acionou o Samu e a polícia esteve no local para a perícia, é possível que algum policial tenha percebido o lixo sendo colocado na lixeira dela. Após ter colocado o lixo às 9h11 em sua lixeira, e depois de ter entrado em casa, ligado para o Samu, ela volta à lixeira, retira o lixo e o coloca na lixeira da vizinha”, disse a advogada.

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Walter foi encontrado dentro da piscina da casa que dividia com Jussara e o caso inicialmente foi tratado como afogamento. Ela alegou à polícia que saiu de casa por volta das 7h e retornou às 9h30, momento em que o marido já estava morto.

De acordo com as novas imagens e a advogada da acusação, a sequência de eventos na manhã de 26 de janeiro foi a seguinte:

8h07: Jussara deixa a residência (ela afirmou em depoimento que havia saído às 6h30)

9h00: Jussara volta à residência (ela disse que havia retornado entre 9h20 e 9h40)

9h11: A professora descarta um saco de lixo na lixeira em frente à sua residência

9h21: A professora volta, retira o lixo de sua residência e o coloca na lixeira da casa vizinha

9h30: Uma ambulância do Samu chega ao local

“Ela mentiu e as imagens revelaram todas as inconsistências em seu depoimento. Não há como alegar que ele estava dormindo, pois o laudo do necrotério indica, pela rigidez cadavérica de Walter, que ele teria falecido entre 8h e 12h, conforme a perícia iniciada às 11h do mesmo dia. Isso descarta a possibilidade de ter falecido enquanto ela esteve fora”, declarou a advogada.

O G1 tentou contato com a defesa de Jussara, porém não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Sequência de imagens mostra Jussara Luzia Fernandes descartando lixo de sua lixeira na lixeira da casa vizinha antes da chegada do Samu.

Câmera de segurança

Advogada suspeita que vítima possa ter sido dopada

Segundo a advogada Isabela Faleiros, Jussara pode ter dopado seu marido e, por isso, trocado os lixos das lixeiras.

“Acredito que ela pensou ‘se mexerem no meu lixo, não estará no meu, estará na lixeira da vizinha e ninguém irá conferir’. Isso nos intriga, especialmente porque nos dois casos em que Jussara está sendo investigada por homicídio, tanto de Walter quanto de Alex Sandro, há a suspeita de que eles estivessem dopados, sem capacidade de reação às agressões dela. Acreditamos que tenha sido utilizado algum medicamento, droga ou veneno no lixo”, afirmou a advogada.

O G1 também contatou a Secretaria de Segurança Pública e aguarda um posicionamento.

A morte de Walter passou a ser investigada após o caso envolvendo Alex. A filha de Walter relata que o pai apresentou piora em seu estado de saúde dias antes de falecer, com sintomas de vômito e sonolência.

Assim como Alex, Walter também manifestou intenção de se separar de Jussara, porém se sentia ameaçado, segundo familiares.

À esquerda, Walter Carneiro, ex-marido de Jussara Fernandes (ao centro) em Bebedouro. À direita, Alex Sandro, de 21 anos, com quem Jussara se relacionou após a morte de Walter.

A morte de Walter

Walter Gilmar de Pádua Carneiro, de 65 anos, foi encontrado morto dentro da piscina da residência que compartilhava com Jussara, no bairro Eldorado, em Bebedouro.

O registro da Polícia Militar indica que foi a professora de estética quem descobriu o corpo de seu ex-marido e acionou o Samu.

Ela relatou que havia saído por volta das 6h30 para entregar um produto a uma amiga e que Walter ainda dormia.

Além disso, Jussara mencionou que passou pela feira e pelo mercado, retornando para casa por volta de 9h30. Ao abrir a área da piscina para seu cachorro, encontrou o marido na água.

Jussara alegou que Walter sofria de ataques epilépticos, inclusive tendo tido um na noite anterior. Na época, o caso foi registrado no 2º Distrito Policial como morte suspeita, com o laudo necroscópico indicando afogamento como a causa.

Jussara Luzia Fernandes participa da reconstituição da morte do namorado em Bebedouro, SP

A morte de Alex Sandro

Segundo a Polícia Civil, Alex Sandro da Silva Rocha, de 21 anos, foi morto entre a noite de 21 de outubro e a madrugada de 22 na mesma residência, no bairro Eldorado. A professora de estética foi presa em flagrante e confessou o crime à polícia na presença de um advogado.

O delegado João Vitor Silvério afirmou que o jovem recebeu pelo menos 40 golpes de tesoura.

Após uma denúncia anônima, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) foram à casa da professora com a polícia e questionaram a moradora, que inicialmente negou qualquer crime.

No entanto, os agentes notaram terra revolvida no quintal e questionaram a professora, que inicialmente alegou ser para enterrar um cachorro. Ao ser confrontada, ela acabou admitindo ter matado o companheiro. Ao realizar escavações, os policiais encontraram o corpo de Alex, removido pelos bombeiros.

Jussara afirmou à polícia que o namorado tinha um comportamento agressivo, com histórico de agressões contra ela. Eles estavam juntos há cinco meses e residiam na casa dela.

Na noite em que Alex Sandro foi morto, os dois discutiram e ele teria pego uma faca para ameaçá-la, conforme a professora de estética.

Ela é ré no processo que investiga a morte de Alex e deve responder por homicídio triplamente qualificado (meio cruel, motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima).

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