Sobretudo de comandante do ICE é comparado a uniforme nazista
Título: Sobretudo de comandante do ICE é comparado a uniforme nazista
O chefe da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, Gregory Bovino, cercado por outros agentes federais, participa de um protesto contra o ICE em Minneapolis. Imagem: reprodução
Desde que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) passaram a ter uma presença mais evidente nas cidades americanas, seus trajes têm sido motivo de controvérsia no debate sobre as políticas de imigração e deportação do governo de Donald Trump. O uso de máscaras faciais pelos agentes, interpretado por críticos como uma forma de ocultação e por defensores como uma medida de proteção, foi o ponto inicial do conflito simbólico. Com o aumento dos protestos em Minneapolis, outro elemento que chamou a atenção foi o sobretudo utilizado por Gregory Bovino, encarregado das operações da Patrulha da Fronteira. Com informações do Globo.
O sobretudo longo de cor verde-oliva, com fecho duplo, lapelas largas, botões metálicos e insígnias nos braços, passou a ser associado, nas redes sociais, à ideia de militarização e autoritarismo. Embora o sobretudo tenha sido usado por oficiais de diversos exércitos durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, incluindo o general americano Douglas MacArthur, ele é fortemente ligado ao Exército alemão sob Adolf Hitler, o que gerou comparações com a Gestapo.
O debate se intensificou no final do ano passado, quando o Departamento de Segurança Interna divulgou um vídeo de Bovino usando o sobretudo ao som de “Viva la Vida”, do Coldplay, com a legenda “Não Seremos Parados”. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, reagiu dizendo: “Se você acha que os apelos ao fascismo e autoritarismo são exagerados, pare e assista a este vídeo”.
A secretária-adjunta de assuntos públicos do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou que o sobretudo faz parte do “uniforme de inverno padrão da Patrulha da Fronteira” e que Bovino o utiliza desde 1999. No entanto, um documento de 2025 com os padrões oficiais de uniforme da corporação não inclui o sobretudo.
Segundo o historiador Harold James, da Universidade de Princeton, o problema não está na peça em si, mas sim no contexto em que é utilizada. “Usar o sobretudo para enfrentar multidões com apoiadores armados evoca de forma inconfundível a imagem de ditadores e da década de 1930”, escreveu. Apesar das críticas e dos pedidos oficiais para moderar a linguagem, Bovino continua a usar o sobretudo, alinhando-se à estratégia da administração Trump de empregar o vestuário como uma ferramenta política e simbólica.
Sede do ICE, alfândega dos Estados Unidos. Imagem: reprodução


