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Ex-czar do petróleo venezuelano acusa ‘privatização’ com a reforma da lei de hidrocarbonetos – CartaCapital

Ex-czar do petróleo venezuelano acusa ‘privatização’ com a reforma da lei de hidrocarbonetos – CartaCapital

Ex-czar do petróleo venezuelano acusa ‘privatização’ com a reforma da lei de hidrocarbonetos – CartaCapital

O ex-diretor da indústria petrolífera venezuelana, Rafael Ramírez, acusou no último domingo, dia 25, que a Venezuela está caminhando rumo à “privatização” de seu setor de petróleo com a reforma da lei de hidrocarbonetos, a qual já obteve votação favorável e poderia facilitar negociações com Washington e aumentar a entrada de dólares.

Em uma mudança de postura em relação ao seu modelo estatista, o país detentor das maiores reservas de petróleo comprovadas do mundo busca abrir-se para empresas privadas por meio de alterações na legislação petrolífera.

“Fica claro que não se trata de uma reforma, mas sim de sua revogação”, afirmou Ramírez em um documento divulgado nas redes sociais, onde critica a alteração que desnaturaliza a propriedade do petróleo como bem público e, portanto, implica na privatização das atividades primárias de produção e comercialização do petróleo.

A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) estaria, segundo o ex-ministro, sendo reduzida em suas capacidades operacionais para se tornar apenas uma agência administradora de contratos, sem mais atuar na produção de petróleo.

A reforma da lei de Hidrocarbonetos recebeu aprovação preliminar no Parlamento venezuelano na quinta-feira e aguarda a aprovação final na próxima semana.

“Um tema tão relevante como este deveria ter sido discutido amplamente e democraticamente em nível nacional; no entanto, optou-se por uma aprovação rápida e pela desqualificação e ameaças àqueles que dissentem”, denunciou Ramírez.

Ramírez, homem de confiança do falecido Hugo Chávez, foi o primeiro ministro do Petróleo de Nicolás Maduro, assumindo o cargo em 2013. Ele ocupava a posição desde 2002 e era presidente da PDVSA desde 2004.

Em 2014, Ramírez deixou o cargo para se tornar chanceler e embaixador na ONU, antes de romper com Maduro. Ele é acusado pelo Ministério Público de envolvimento em esquemas de corrupção que teriam causado um prejuízo de aproximadamente 45 bilhões de dólares (238 bilhões de reais) ao país e encontra-se foragido da justiça.

A presidente interina Delcy Rodríguez está promovendo uma agenda que inclui acordos petrolíferos e libertação de presos políticos, após a destituição de Maduro em 3 de janeiro, decorrente de uma incursão militar dos Estados Unidos, que afirmam estar à frente do país e controlar as vendas do petróleo venezuelano.

Rodríguez anunciou que o país recebeu uma primeira remessa de 300 milhões de dólares (1,59 bilhão de reais) provenientes da venda de petróleo para os Estados Unidos.

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