Orelhões: moradores do Alto Tietê contam histórias afetivas com o aparelho
Orelhões: histórias afetivas de moradores do Alto Tietê com o aparelho
O orelhão é parte da memória afetiva dos residentes do Alto Tietê. Na região, existem 775 orelhões instalados, enquanto no Brasil todo há 38 mil desses aparelhos. No entanto, a partir deste mês, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciará a remoção dos orelhões em todo o país.
Com o término dos contratos no ano passado, as operadoras de telefonia não têm mais a obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones públicos. Até 2028, os orelhões deverão ser mantidos apenas em cidades sem cobertura de celular disponível.
Durante as décadas de 80, 90 e início dos anos 2000, os orelhões tiveram um grande impacto no país e eram amplamente utilizados por pessoas sem celular ou telefone residencial. A remoção desses aparelhos desperta um sentimento de nostalgia naqueles que costumavam fazer ligações nos orelhões.
Um exemplo é o microempresário Manoel Teixeira de Araújo Filho, de Mogi das Cruzes, que se mudou da Paraíba aos 18 anos, em 1993. Ele recorda: “Eu vim para São Paulo em busca de uma vida melhor, para ganhar meu próprio dinheiro e ajudar meus pais. A saudade ainda é intensa até hoje.”
Os orelhões surgiram em 1934, no Rio de Janeiro, na época capital do país. Segundo o historiador Glauco Ricciele, durante o governo de Getúlio Vargas, a importância de disponibilizar telefones públicos para conectar pessoas dentro da mesma cidade ou de diferentes estados foi reconhecida.
Ricciele destaca que o design dos orelhões, criado no Brasil pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira em 1971, tornou-se um ícone nacional. Antes, os telefones públicos ficavam dentro de cabines insalubres, quentes e sujeitas a depredações.
A professora Nilza Gomes, de Mogi das Cruzes, discorda da retirada dos orelhões, pois ainda são essenciais em locais sem cobertura de internet ou antenas para celulares.
O historiador ressalta que a evolução tecnológica influencia a sociedade, como a transição dos telefones para mensagens e videochamadas. Ele conclui: “O futuro pode trazer novas formas de comunicação, assim como os orelhões fizeram no passado, unindo pessoas a longas distâncias.”
História do telefone no Brasil
De acordo com Glauco Ricciele, a comunicação sempre foi essencial para a humanidade, evoluindo de desenhos rupestres para mensagens de vídeo. Dom Pedro II introduziu o telefone no Brasil após adquirir o primeiro aparelho dos Estados Unidos, instalando-o no Palácio da Boa Vista, no Rio de Janeiro, para comunicação interna.
O Barão de Mauá contribuiu para a expansão das ligações telefônicas entre continentes, marcando a crescente adoção do telefone no mundo. Inicialmente destinado à elite, o telefone se popularizou no Brasil durante a virada do século XIX para o XX.
A professora Nilza Gomes relembra as dificuldades de comunicação do passado, destacando a espera por ligações e a aquisição de sua primeira linha telefônica nos anos 70 após longas filas na telefônica.


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