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Judeus mudam rotina em Berlim com antissemitismo em alta

Judeus mudam rotina em Berlim com antissemitismo em alta

Judeus mudam rotina em Berlim com antissemitismo em alta

Título: Judeus alteram rotina em Berlim devido ao aumento do antissemitismo

Jovens da comunidade judaica em Berlim relatam mudanças em seus hábitos e comportamentos, tornando-se mais cautelosos diante do crescente número de incidentes antissemitas na Alemanha após o atentado terrorista do Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023. Tim Kurockin, um estudante judeu de 21 anos da Baviera, mudou-se para Berlim pouco antes desse evento traumático.

Desde então, alguns de seus amigos judeus foram fisicamente agredidos simplesmente por serem identificados como judeus. Kurockin considera um “privilégio” não parecer “judiamente visível” – não sendo “religioso”, não usando quipá (chapéu tradicional usado por homens judeus) nem estrela de Davi.

Estudante na Escola de Economia e Direito de Berlim, Kurockin participa ativamente de organizações judaicas, incluindo o movimento Hillel, que promove conexões entre estudantes judeus globalmente, e a União Estudantil Judaica da Alemanha.

Mesmo em Berlim, conhecida por sua diversidade, Kurockin afirma agir com muita cautela ao sair e evita divulgar sua identidade judaica a muitas pessoas. Embora não viva constantemente com medo, ele procura evitar conflitos.

Reflexo da tensão crescente, as instituições judaicas em Berlim estão sob proteção policial há décadas. Após o recrudescimento do conflito entre Israel e o Hamas, a atmosfera na capital alemã tornou-se ainda mais delicada. Por exemplo, a última celebração pública de Chanucá, em dezembro no Portão de Brandemburgo, contou com reforço policial. Anos atrás, o evento era acessível ao público em geral.

Outra medida evidente de segurança são os pesados postes instalados em frente aos centros culturais judaicos em diversos bairros de Berlim.

Embora a proteção policial já fosse uma realidade antes dos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro, que resultaram em mais de 1.200 mortes e cerca de 250 reféns, as ameaças em Berlim intensificaram-se após a guerra em Gaza. Isso levou as autoridades a ampliarem ainda mais as medidas de segurança.

Enquanto alguns judeus, como Kurockin, compartilham abertamente suas experiências na cidade, outros preferem o silêncio. Há também jovens judeus que afirmam não ter enfrentado pessoalmente o ódio e a discriminação.

Considerando o cenário atual, Kurockin destaca a importância de ações concretas contra o antissemitismo, especialmente diante do crescimento de partidos de extrema direita e de extremismo de esquerda na Alemanha. Ele lamenta a falta de ação dos líderes políticos diante desse cenário preocupante.

O jovem também expressa preocupação com a ascensão do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) e a crescente aceitação de colaboração política com extremistas de direita.

A comunidade judaica em Berlim conta oficialmente com cerca de 10 mil membros, mas estima-se que o número real seja consideravelmente maior, incluindo um aumento de judeus ucranianos que fugiram da guerra em seu país. Estima-se que entre 15 mil e 30 mil israelenses também residam em Berlim.

Lilach Sofer, de 20 anos, estudante em Potsdam e residente em Berlim, evita postar comentários políticos nas redes sociais devido às reações agressivas e irracionais que costuma receber. Ela, cuja mãe é israelense e pai alemão, afirma viver normalmente na cidade, embora tenha passado a evitar falar hebraico em público após amigos serem ameaçados por isso.

Sofer, que costumava usar um colar com a Estrela de Davi, agora se abstém de fazê-lo, refletindo a cautela necessária na cidade. Da mesma forma, David Gorelik, membro da comunidade judaica Chabad, relata uma mudança significativa em sua vida desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023.

Gorelik destaca a importância de permanecer unidos diante dos desafios enfrentados pela comunidade judaica na Alemanha. Ele reconhece os riscos que agora fazem parte de sua rotina diária e enfatiza a necessidade de diálogo e compreensão mútua para combater o antissemitismo e os preconceitos.

Embora esteja mais atento em suas interações sobre temas sensíveis, Gorelik procura manter sua identidade judaica visível como forma de resistência aos atos antissemitas. Ele ressalta a importância de ir além do slogan “Nunca mais” em memória do Holocausto, buscando um diálogo mais amplo e inclusivo.

Por fim, Gorelik destaca os avanços significativos na vida judaica na Alemanha nos últimos anos, com maior infraestrutura e apoio à comunidade. Ele reforça o compromisso de permanecer firme e unido em meio aos desafios atuais, defendendo a ideia de que a luz pode dissipar a escuridão.

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