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Família de adolescentes é indiciada por coação de testemunhas no caso do cão Orelha

Família de adolescentes é indiciada por coação de testemunhas no caso do cão Orelha

Família de adolescentes é indiciada por coação de testemunhas no caso do cão Orelha

Por Carlos Vilella

A Polícia Civil de Santa Catarina divulgou hoje que três homens adultos foram indiciados por intimidar testemunhas no incidente envolvendo o cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis (SC).

Quatro jovens estão sob suspeita de agredir o animal com pedaços de pau, levando-o a ser submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. Os três indiciados, um advogado e dois empresários, são parentes dos adolescentes. Até o momento, a defesa dos acusados não foi localizada pela imprensa.

Orelha, um cão com cerca de 10 anos de idade, era uma figura conhecida na comunidade de Praia Brava, região situada no norte da ilha de Florianópolis, conhecida por seu grande apelo turístico e condomínios de luxo.

O cachorro foi encontrado ferido por residentes em 16 de janeiro e prontamente levado para receber cuidados veterinários por membros da comunidade. Manifestações em busca de justiça pela morte do animal já foram realizadas em duas ocasiões pelos moradores locais.

Na segunda-feira (26), mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos jovens suspeitos.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), expressou em suas redes sociais que a coleta de evidências, o depoimento de testemunhas e outros procedimentos legais foram conduzidos “sem atropelos”.

“Confesso que fiquei chocado ao saber que jovens de famílias estruturadas estariam envolvidos em agressões a um cão por pura maldade”, declarou Jorginho. “Não importa quem são ou de onde vêm, a lei será aplicada. Infelizmente, ainda é muito branda, mas será cumprida.”

A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção ao Animal, revelou que testemunhas relataram que um dos indiciados utilizava frases intimidadoras como “sabe com quem está falando?” e chegou a ameaçar destruir um veículo.

O caso atraiu a atenção de celebridades, que passaram a compartilhar informações e pedidos de justiça. A ativista de proteção animal Luisa Mell marcou presença em uma coletiva de imprensa realizada na sede da Polícia Civil de Santa Catarina.

Cão Orelha vítima de maus-tratos em Praia Brava, SC.

Adolescentes em viagem à Disney

Dos adolescentes envolvidos na agressão ao cachorro, dois estão fora do Brasil em uma viagem de formatura para a Disney, viagem que já estava planejada há aproximadamente um ano.

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, expressou preocupação com a convocação de um protesto no aeroporto de Florianópolis por ocasião do retorno dos jovens.

“Haverá 115 jovens presentes, sendo que 113 não têm qualquer ligação com o caso. Portanto, estamos muito preocupados com a possibilidade de alguém sair machucado devido a uma situação envolvendo apenas duas pessoas”, afirmou.

Ele destacou ainda que será montada uma estrutura com o apoio da polícia e do aeroporto para garantir a segurança dos jovens no retorno.

O delegado também informou que não houve apreensão de passaportes de outros jovens envolvidos no caso que permanecem no Brasil.

Os adolescentes também são suspeitos de tentar afogar outro cachorro no mar, que conseguiu escapar. O animal foi adotado pelo próprio delegado-geral e recebeu o nome Caramelo. Essa tentativa de afogamento não teria ocorrido no mesmo dia da agressão ao cão Orelha.

“Temos imagens deles pegando o animal no colo, mas as testemunhas afirmam que eles o lançaram ao mar”, relatou a delegada Mardjoli.

Investigação de outros atos infracionais

A delegada mencionou que está em curso uma investigação sobre possíveis atos infracionais cometidos pelos adolescentes, como difamação, furtos e danos ao patrimônio.

Esses incidentes teriam ocorrido em diferentes momentos, e agora a polícia está trabalhando para individualizar os comportamentos a fim de compreender o grau de envolvimento de cada jovem.

“São situações em diversos dias, então é possível que um adolescente não tenha participado de todos os atos infracionais sob investigação”, esclareceu Mardjoli.

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