De raridades a lendas: entenda como colecionismo de cartões telefônicos resiste em meio ao fim dos orelhões
De coleções raras a relíquias: saiba como o colecionismo de cartões telefônicos persiste mesmo com o desaparecimento dos orelhões
Colecionador de cartões telefônicos compartilha a história de raridades
Apesar do fim dos orelhões no Brasil, a remoção em curso não abala um mercado relacionado à história dos telefones públicos: o dos colecionadores de cartões telefônicos.
No auge nos anos 90, os cartões telefônicos eram usados como forma de pagamento para fazer chamadas nos orelhões. Eles eram inseridos no aparelho público antes da ligação e suas unidades eram consumidas conforme a duração da chamada.
Um grupo em um aplicativo de mensagens, acessado pelo g1, troca mais de mil mensagens diariamente, envolvendo a negociação de cartões raros por valores que chegam a R$ 10 mil.
Tarcísio Coelho Soares, de 53 anos, de Piracicaba (SP), é um desses entusiastas. A telecartofilia, como é conhecido esse tipo de colecionismo, entrou em sua vida após tentar colecionar latinhas de refrigerante e cerveja.
“As latinhas ocupam muito espaço. Imagine ter mais de mil delas em casa, como seria isso. Minha esposa, em um dos meus aniversários, chegou com 220 cartões de telefone e sugeriu: ‘Colecione isso, é mais saudável'”, recorda.
Atualmente, ele possui uma coleção de 1,5 milhão de cartões telefônicos. “Tenho praticamente todos os cartões. Dos raros, falta apenas um. Para continuar, estou iniciando uma segunda coleção”, revela Tarcísio.
Apesar da preocupação inicial com o espaço ocupado pelas latinhas, as pastas com cartões ocupam estantes em dois quartos da chácara onde Tarcísio mora. A renda obtida com a venda de cartões possibilitou a compra dessa chácara.
Ele começou vendendo esses materiais para colecionadores em sua loja, mas passou a atender ao público em geral interessado nos créditos para chamadas nos orelhões.
Segundo Tarcísio, diferentes características tornam um cartão raro, como a escassez de cópias disponíveis ou defeitos de fabricação que o tornam único. Alguns cartões nem chegaram a circular, como é o caso da coleção dourada da Turma da Mônica.
Entre outras raridades, ele menciona o mico-leão-dourado da coleção da Eco 92, um cartão com a foto do Rio Tocantins e outro com a vista de um mirante. Há também um cartão com a imagem de uma orelha, pouco conhecido e avaliado em R$ 7.500.
Outro destaque é um cartão telefônico com estampas de jogadores do Barcelona, que Tarcísio afirma ter sido barrado por falta de autorização do clube de futebol. Com apenas 40 unidades conhecidas, seu valor é estimado em R$ 3 mil.


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