O sinal inofensivo que pode aumentar o risco de Alzheimer em quase 70%
Conforme apontado por uma recente pesquisa da Universidade de Liverpool, foi identificado um indicador no sangue que pode resultar em um aumento de aproximadamente 70% no risco de desenvolver Alzheimer. O estudo se concentrou nos picos de glicemia que ocorrem duas horas após as refeições.
Analisando informações de mais de 350 mil pessoas com idades entre 40 e 69 anos, os pesquisadores concluíram que aqueles que apresentavam picos de glicose após as refeições tinham uma probabilidade maior de desenvolver problemas cerebrais.
De maneira mais específica, os dados indicam que, no caso de indivíduos com elevação da glicose duas horas após as refeições, o risco de desenvolver Alzheimer era 69% maior. Outros indicadores de glicose, como a medição em jejum, não demonstraram um risco significativo. O estudo foi divulgado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism.
Alerta de Risco de Alzheimer
“Essa descoberta pode orientar futuras estratégias de prevenção, ressaltando a importância do controle da glicemia não apenas de forma geral, mas especialmente após as refeições”, afirmou em comunicado Andrew Mason, um dos responsáveis pelo estudo, citado pela Fox News.
“Com o tempo, altos níveis de glicose no sangue prejudicam os vasos sanguíneos do cérebro, aumentando o risco de problemas de memória e aprendizagem”, explicou a nutricionista Tanya Freirich ao mesmo veículo.
Alzheimer: médica compartilha formas de prevenção e redução da progressão da doença
Em uma declaração, a médica clínica geral Tânia Lima abordou a doença, estratégias preventivas e maneiras de minimizar sua evolução.
“Existem condições que tornam o indivíduo mais suscetível e comprometem sua capacidade de regeneração. Diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares estão entre as mais comuns, impactando a saúde cognitiva”, afirmou.
A qualidade do sono inadequada e alguns transtornos mentais, como ansiedade e depressão, também são fatores de risco associados. A poluição do ar pode desencadear processos inflamatórios, enquanto o tabagismo pode fragilizar e reduzir a vitalidade cerebral.
“É crucial lembrar que não há cura para o Alzheimer. Os tratamentos existentes apenas aliviam os sintomas ou retardam a progressão da doença. A prevenção passa pelo reconhecimento de que hábitos de vida saudáveis podem postergar ou mesmo reduzir o risco de desenvolver Alzheimer.”
É viável prevenir o Alzheimer?
Embora não exista uma prevenção absoluta, adotar certos estilos de vida pode contribuir para diminuir o risco. A médica compartilhou algumas recomendações.
Exercícios físicos regulares
A prática constante de atividades físicas é uma das estratégias mais eficazes para proteger o cérebro. Caminhar, nadar, dançar ou praticar artes marciais ajudam a melhorar a circulação, preservar a memória e a atenção, e estimular a plasticidade cerebral.
Estímulo cognitivo
O cérebro precisa ser desafiado para manter sua vitalidade. Ler com frequência, aprender novos idiomas e resolver problemas de raciocínio são maneiras simples de estimular a mente e retardar o envelhecimento natural das células.
Interação social
O mesmo vale para as relações sociais. A solidão prolongada tem sido identificada como um fator de risco significativo para várias doenças, enquanto a interação social positiva e regular exerce um efeito protetor.
Alimentação saudável
A alimentação desempenha um papel fundamental. Dietas ricas em vegetais, frutas, peixes, azeite e oleaginosas estão associadas a um menor risco de demência.
“No caso do Alzheimer, para o qual ainda não existe cura, não se trata de uma prevenção absoluta, mas da possibilidade de reduzir o risco e atrasar a progressão da doença por meio de mudanças ativas no estilo de vida”, concluiu Tânia.



