Quem era Cida Siqueira, dona de casa que morreu após levar soco tentando separar briga de casal
Quem era Maria Aparecida Siqueira Ferraz, dona de casa que faleceu ao tentar separar briga de casal
Mulher perde a vida após ser agredida ao intervir em confusão entre casal em Boa Esperança do Sul
Uma mulher forte, solidária e sempre pronta para auxiliar quem necessitasse. Assim era descrita Maria Aparecida Siqueira Ferraz, conhecida como Cida, que veio a óbito no sábado (31), seis dias após ser agredida e bater a cabeça ao tentar apartar uma briga entre um casal em Boa Esperança do Sul (SP). (Veja abaixo mais informações sobre Cida).
O corpo dela foi sepultado com grande comoção na manhã de domingo (1º), no Cemitério Municipal. Um protesto foi realizado em frente à residência da vítima. O suspeito do crime, Luiz Fernando Corrêa da Costa, de 30 anos, segue foragido. Ele deverá responder por feminicídio.
Perfil de Cida Siqueira
Maria Aparecida Siqueira Ferraz, conhecida como Cida, veio a óbito seis dias após tentar intervir em briga de casal em Boa Esperança do Sul, SP
Cida exercia a função de dona de casa e residia no Jardim Maria Tannuri. Seu esposo faleceu em janeiro de 2024, vítima de um infarto. Ela deixou uma filha.
Conforme relato da dona de casa e amiga Danielli Ferreira Silva, Cida era uma amiga leal em todos os momentos. Elas foram vizinhas por aproximadamente 3 anos.
“Ela tinha um afeto muito grande pela minha filha, que cresceu ali. Sempre estávamos juntas, sentadas na calçada. Sempre me apoiou no que eu precisava. Sendo assim, além de amiga, a via como uma mãe, me aconselhava, ensinava minha filha a chamá-la de vó”, compartilhou.
Segundo Danielli, Cida era uma pessoa muito resiliente. “Mesmo enfrentando seus próprios problemas, estava sempre disposta a auxiliar quem quer que fosse. Ela era muito amorosa, especialmente com crianças”, recordou.
Protesto contra o feminicídio
Mulheres protestam após feminicídio de Cida Siqueira em Boa Esperança do Sul, SP
Uma manifestação organizada nas redes sociais ocorreu nas ruas de Boa Esperança do Sul e terminou na residência de Cida. Mulheres com cartazes e roupas sujas simbolizando sangue pediram por justiça.
“Cada gota de sangue que vemos representa uma vida interrompida. Cada nome que recordamos é uma história que não teve um final feliz. Marchamos por elas. Marchamos para que nenhuma outra seja a próxima”, publicaram as organizadoras nas redes sociais.
Violência e indignação
Maria Aparecida Siqueira Ferraz falece após receber soco ao tentar separar briga de casal em Boa Esperança do Sul, SP
Danielli afirmou que Cida alugava a residência ao lado para o casal e frequentemente presenciava discussões entre eles. “Ele sempre agredia a esposa, e ela [Cida], em algumas ocasiões, ia pegar o bebê de 6 meses que estava frequentemente no meio dessas discussões”, relatou.
Ela expressou que ainda não consegue aceitar a perda da amiga de forma tão violenta.
“Estou extremamente abalada e destroçada. A realidade ainda não me atingiu. Perder alguém por doença ou morte natural é terrível, mas imagina perder alguém cuja vida foi abruptamente interrompida? Ela foi vítima de assassinato”, lamentou.
Ela deseja que o agressor seja capturado e responsabilizado por seus atos. “Estou revoltada, assim como toda a população da cidade. Ainda mais pelo fato de que todos esses dias em que ela estava hospitalizada, ele estava pelas ruas bebendo e zombando da situação, dizendo que não sofreria consequências”, declarou.
Agressão ao tentar intervir em briga
De acordo com a Polícia Civil, a confusão teve início em uma residência na Rua Victório Govoni. O agressor, identificado como Luiz Fernando Corrêa da Costa, 30 anos, discutia com sua companheira, 31 anos, que tentava impedir que ele saísse embriagado de casa.
No decorrer da discussão, a mulher foi agredida com socos, ameaças de morte e insultos enquanto segurava o filho nos braços. A criança caiu, foi levada ao médico e, conforme o relatório policial, não apresentou lesões visíveis.
Ao escutar a confusão, a vizinha Maria Aparecida tentou intervir, mas foi atingida por um soco na cabeça, caindo e batendo a cabeça. Ela foi socorrida pelo Samu e inicialmente levada à Santa Casa de Boa Esperança do Sul, sendo posteriormente transferida para Araraquara, onde veio a falecer.
Após o ataque, Luiz Fernando fugiu antes da chegada da Polícia Militar e permanece foragido. Ele já tinha passagens pela polícia e estava sob investigação por tráfico de drogas. A companheira solicitou medida protetiva de urgência.
O caso, inicialmente registrado como violência doméstica, ameaça, injúria e lesão corporal, agora será tratado como feminicídio. A Polícia Civil solicitou a prisão do suspeito.


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