Rainha de bateria usa páginas de livros para montar fantasia
Na apresentação técnica da Unidos da Tijuca, Mileide Mihaile surpreendeu ao utilizar uma fantasia feita com 200 páginas de livros descartados. A escola de samba desfilou na sexta-feira (30) como a quarta a se apresentar durante a noite, tendo como enredo a escritora Carolina Maria de Jesus, ícone da resistência de vozes historicamente caladas no Brasil.
“O enredo possui uma grande potência. Ao mergulhar na história de Carolina, pude compreender a magnitude das dificuldades que ela enfrentou e, mesmo assim, a determinação com que nunca desistiu de lutar por justiça e pelos direitos do povo negro. Sua história deixou um legado incalculável, que hoje temos a honra de exaltar e apresentar ao mundo, destacando a importância e grandiosidade dessa mulher”, afirmou Mileide.
O traje, feito artesanalmente com páginas de livros antigos que seriam descartados, levou dois meses para ser desenvolvido, contando com a colaboração de diversos profissionais. A proposta do figurino convida à reflexão política sobre a preservação da memória, o apagamento histórico e o poder da palavra escrita ao longo do tempo. As borboletas aplicadas na roupa simbolizam, segundo ela, “a metamorfose de Carolina Maria de Jesus”.
“Mesmo ciente de que não estou falando em meu nome, acredito que a luta contra o racismo e qualquer forma de opressão não deve ser responsabilidade apenas de quem sofre diretamente. Escolhi me posicionar porque é essencial reconhecer, valorizar e respeitar a história, a arte e a relevância do povo negro. Devemos honrar o legado de Carolina Maria de Jesus, uma mulher que abriu caminhos e deixou marcas profundas. Graças a ela e a tantas outras como ela, hoje muitas mulheres conquistaram espaço, visibilidade e voz. Este é um debate que precisa continuar, até que o racismo e toda forma de negligência sejam eliminados”, pontuou a rainha.



