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Casas viram 'UTI': a luta de voluntários que salvam animais silvestres no interior de SP

Casas viram 'UTI': a luta de voluntários que salvam animais silvestres no interior de SP

Casas viram 'UTI': a luta de voluntários que salvam animais silvestres no interior de SP

Casas viram ‘UTI’: a luta de voluntários que salvam animais silvestres no interior de SP

Instituto de São Carlos resgata animais silvestres em situações de emergência.

O que ocorre quando um animal selvagem perde seu ninho ou sofre um acidente em São Carlos (SP)? Uma rede de solidariedade, formada pelo Instituto Projeto Ninhos, tem sido um dos poucos refúgios para centenas de aves, mamíferos e répteis que, sem essa ajuda, não teriam uma segunda chance na natureza.

Legalizado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) desde 2012, o projeto tem um sonho projetado em planta de engenharia e um terreno de 4 mil m² aguardando a construção do primeiro Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS) da região.
“A ideia existe desde 2009, mas somente em 2020 obtivemos progresso com o apoio do Ministério Público e a área cedida por comodato”, lembra Ariane Maria Leoni, diretora administrativa do projeto.
Segundo ela, o momento atual é crucial para que o projeto saia do papel e se torne um refúgio real. O CETRAS funcionaria como um verdadeiro hospital: um complexo de reabilitação destinado a restituir a dignidade e a liberdade à fauna local.
“Agora estamos em uma fase um tanto desafiadora, que é a obtenção de recursos para a construção e, posteriormente, manutenção do local. O projeto ainda carece de divulgação”, desabafa Ariane.

Enquanto os tijolos não chegam, o trabalho acontece com a dedicação e paixão dos voluntários, nas residências ou em clínicas veterinárias parceiras.
O objetivo, segundo a diretora, é claro: “Nosso CETRAS pretende receber aves, mamíferos e répteis vitimizados para serem reabilitados e soltos na natureza. Quando isso não for viável, poderão viver no local ou ser encaminhados para mantenedores”.

A importância destacada por Ariane ganha vida nas histórias dos animais atendidos. Recentemente, dois filhotes de coruja-suindara (Tyto furcata), com apenas 10 dias de vida, foram acolhidos e alimentados pelo médico veterinário Gustavo Candalaft, parceiro do instituto, após ficarem órfãos. Após serem encaminhados para treinamento de voo em São Roque (SP), foram finalmente devolvidos à liberdade após o empenamento completo.
Porém, nem todas as histórias terminam com o retorno à natureza. Um macaco-prego, vítima de atropelamento na Rodovia Washington Luís, passou por cirurgia, mas devido à sua impossibilidade de retornar à vida selvagem, foi transferido para um mantenedouro.

Atualmente, o Instituto Projeto Ninhos preenche uma lacuna crucial na região. Ariane explica que o sistema estadual está operando no limite. “O CETRAS terá capacidade máxima de aproximadamente 240 animais, mas esse número varia devido ao fluxo constante, semelhante a um hospital”, projeta a diretora.
Hoje, a falta dessa estrutura sobrecarrega o sistema.
“Um dos casos mais comuns envolve animais órfãos, especialmente aves, que deixam o ninho prematuramente devido a temporais e podas de árvores”, detalha Ariane. Além disso, o futuro centro não servirá apenas como hospital, mas como um polo de conhecimento.
“Além da reabilitação, teremos uma área de Educação Ambiental para receber desde escolas até grupos de terceira idade. Pretendemos nos tornar uma unidade modelo, incentivando a construção de outros CETRAS”, completa ela.

O terreno de 4.000 m², cedido pelo Grupo Encalso, aguarda a obra, cujo projeto técnico foi finalizado pela EESC Jr. (USP São Carlos). O orçamento estimado é de aproximadamente R$ 2 milhões. O grupo busca apoio financeiro, doações de materiais de construção e parcerias com empresas.
O Instituto Projeto Ninhos é uma OSCIP e oferece incentivos fiscais para empresas (Lucro Real), que podem deduzir doações de até 2% do Lucro Operacional.
Para mais informações, acesse o site projetoninhos.com.br.
Enquanto os tijolos não são assentados, os voluntários continuam sua missão silenciosa: garantir que a fauna da região tenha, ao menos, uma chance de lutar pela vida.