Caso Master: versões de Ibaneis e Vorcaro entram em choque
Depoimentos à PF divergem sobre reuniões e pauta da compra do Master.
Contradição entre as versões do banqueiro Daniel Vorcaro e do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), entrou no centro do caso que envolve o BRB e o recém-liquidado Banco Master.
Em depoimento prestado à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, Vorcaro afirmou que se reuniu com Ibaneis “em algumas poucas oportunidades” para tratar da proposta de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), além de mencionar visitas às casas um do outro para “conversas institucionais”. Já Ibaneis declarou que, nas quatro vezes em que encontrou Vorcaro, não discutiu temas ligados ao BRB ou ao Master. A divergência aparece em vídeos dos interrogatórios que estavam sob sigilo e foram liberados por decisão do ministro do STF Dias Toffoli, relator do inquérito.
O episódio adiciona pressão a uma crise que já extrapolou o debate técnico sobre governança bancária e alcançou o tabuleiro político do DF, onde Ibaneis tem reiterado a intenção de disputar uma vaga no Senado em 2026.
Palavra-chave central (SEO): “contradição Ibaneis Vorcaro BRB Banco Master”
Frases-chave secundárias: “vídeos liberados por Toffoli”, “depoimento à Polícia Federal”, “Operação Compliance Zero”, “crise no BRB”, “venda do Banco Master ao BRB”.
O que dizem Vorcaro e Ibaneis, e onde as versões colidem
Nos trechos divulgados, Vorcaro sustenta que tratou diretamente com o governador, em conversas que teriam ocorrido em 2024 e 2025, e aponta encontros em ambientes privados como parte do que chamou de agenda institucional. A leitura implícita da fala é que a negociação não ficou restrita ao nível executivo do banco.
Ibaneis, por sua vez, descreve os encontros como contatos limitados e afirma que não discutiu BRB ou Master com o banqueiro. Na prática, a negativa tenta separar o chefe do Executivo local, que é acionista majoritário do BRB, do conteúdo sensível da operação.
A contradição não equivale, por si só, a prova de irregularidade. Porém, em investigações desse porte, ela costuma ter efeito direto: abre espaço para confrontos, cruzamento de agendas, análise de mensagens, confirmação de datas e checagem de interlocutores. Esse tipo de divergência também pesa na avaliação de riscos de compliance e na narrativa pública do caso.
Por que a liberação dos vídeos muda o caso
A decisão que levantou o sigilo deu publicidade a elementos que, até então, circulavam apenas em ambientes institucionais. Segundo a comunicação oficial do STF, a medida ocorreu no âmbito do inquérito ligado à Operação Compliance Zero e atendeu, entre outros pontos, a demandas de acesso a depoimentos relacionados às apurações.
Com os vídeos acessíveis, a disputa deixa de ser apenas “versão contra versão” em notas e bastidores. A opinião pública passa a ver a forma como as perguntas foram feitas, como as respostas foram construídas e onde há ou não precisão. Isso altera a temperatura do debate, inclusive no campo político.
Risco político: a crise alcança 2026
A crise do caso Master também coincide com o momento em que Ibaneis busca consolidar seu projeto eleitoral para o Senado. Veículos nacionais registraram que o governador reafirmou a pré-candidatura em meio às repercussões do episódio e à exposição de seu nome nas apurações.
Aqui, há um ponto sensível: mesmo sem acusação formal, o simples fato de uma negociação potencialmente bilionária ser associada a conversas privadas entre um banqueiro e o acionista controlador do banco público tende a gerar questionamentos sobre fronteiras entre “articulação política” e “governança”. É precisamente esse tipo de dúvida que, em anos eleitorais, ganha vida própria.
RBN




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