as mensagens que ligam Milton Leite aos PMs presos por elo com o PCC
Título: as mensagens que ligam Milton Leite aos PMs presos por elo com o PCC
Mensagens de texto apreendidas pela Corregedoria da Polícia Militar sugerem uma possível conexão entre o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e policiais militares detidos sob suspeita de oferecer segurança privada a diretores da Transwolff. Nas conversas, PMs se referem a “chefe Milton” ao explicar atrasos em serviços e discutem sobre valores que, de acordo com a investigação, seriam propina.
Em declaração à Corregedoria, o 2º sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário afirmou que Milton Leite seria “efetivamente” o “proprietário” da empresa e que os demais diretores seriam “laranjas”. No entanto, o policial admitiu que apenas “ouviu dizer” isso e não possui provas para sustentar a afirmação. O depoimento foi prestado em 4 de março e obtido por O Globo.
Cezário é um dos três PMs detidos na semana passada na Operação Kratos, que investiga a atuação de policiais como seguranças particulares de executivos da Transwolff associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa está sendo investigada por suspeita de lavagem de dinheiro e teve seu contrato cancelado com a prefeitura da capital.
De acordo com a Corregedoria, entre 2020 e 2024, os policiais prestaram serviços de segurança para os executivos da companhia. O líder da equipe era o capitão Alexandre Paulino, que atuava como assessor militar da Câmara Municipal de São Paulo e anteriormente tinha sido ajudante de ordens de Milton Leite durante seu mandato como presidente da Casa.
O inquérito reúne mensagens trocadas entre dirigentes da Transwolff e os PMs sob investigação. Em 18 de agosto de 2023, o sargento Nereu Aparecido Alves enviou uma mensagem a um dos diretores para justificar um atraso, mencionando que estava em compromisso e indicando que o “celular do chefe” estava com ele.
Posteriormente, ele enviou uma foto de um evento com a legenda “Inauguração da escola da mãe do chefe Milton”. A Corregedoria identificou o evento como a inauguração de um centro de educação infantil na região do M’Boi Mirim.
Após a troca de mensagens, as conversas passaram a abordar questões financeiras. Um diretor instruiu o sargento a ir ao escritório para pegar “uns QSJ”, termo que a investigação aponta como uma expressão para propina. Na operação, cerca de R$ 1 milhão em dinheiro vivo foi encontrado na residência de Nereu.
Procurado, Milton Leite negou ser o dono da Transwolff e afirmou não conhecer os sargentos mencionados. Ele também enfatizou que sua segurança era provida exclusivamente por membros da Assessoria Militar da Câmara e que quaisquer atividades fora de suas funções são de responsabilidade dos envolvidos.
A defesa do capitão Alexandre Paulino afirmou que ele é inocente. A Transwolff informou que sempre contratou empresas de segurança regularizadas e está colaborando com as autoridades.


