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Empresas atuam como um novo império, diz jornalista

Empresas atuam como um novo império, diz jornalista

Empresas atuam como um novo império, diz jornalista

A indústria de tecnologia é atualmente um dos principais agentes globais, e a inteligência artificial é sua principal ferramenta para ampliar sua influência. Karen Hao, jornalista sino-americana e autora do livro “Império de IA” (Empire of AI), descreve a OpenAI como um império que explora recursos valiosos para impulsionar sua visão de IA.

O CLIP (Centro Latinoamericano de Investigación Periodística), em colaboração com a Pública no projeto “A Mão Invisível das Big Techs”, entrevistou a jornalista, com vasta experiência na cobertura do mercado de tecnologia em veículos como a revista The Atlantic e o MIT Technology Review.

Por que você usa a metáfora de um império e por que se refere especificamente à OpenAI dessa forma?

Essa metáfora se baseia em pesquisas que identificaram semelhanças entre a indústria de IA atual e os impérios antigos. No livro, destaco quatro paralelos principais entre eles.

Primeiramente, essas empresas utilizam recursos alheios, como dados de indivíduos ou propriedade intelectual, para treinar seus modelos. Em seguida, exploram uma grande quantidade de mão de obra global, pagando baixos salários em troca de alta produtividade.

Além disso, monopolizam a produção de conhecimento ao financiar a maioria dos pesquisadores de IA, limitando uma visão imparcial das tecnologias. Por fim, mantêm uma narrativa de missão moral, apresentando-se como agentes do bem em busca de um “paraíso de IA”.

Essas características imperialistas são exclusivas da OpenAI ou são compartilhadas com outras empresas, como a Amazon?

Essas características são compartilhadas por várias empresas de tecnologia. A OpenAI é focada no livro devido às suas decisões impactantes no desenvolvimento de modelos em larga escala. No entanto, outras grandes empresas de tecnologia seguem a mesma abordagem.

Por que as empresas, incluindo a OpenAI, estão interessadas na América Latina?

Embora atuem globalmente, a América Latina é atraente devido à sua história de extrativismo, que reflete as práticas da indústria de IA. Além disso, movimentos de resistência na região inspiram ações em todo o mundo. A busca por mão de obra barata levou a práticas questionáveis na indústria, como a exploração de refugiados em atividades de anotação de dados.

Como as empresas de IA podem reconciliar a tecnologia com práticas mais éticas? Existem futuros alternativos?

Existem tecnologias de IA mais éticas, como modelos pequenos que podem ser treinados de forma mais seletiva e transparente. Exemplos positivos, como o da Tahiku Media, demonstram que é possível desenvolver modelos respeitando as comunidades e suas necessidades locais. Espero que no futuro haja mais iniciativas desse tipo, criadas por e para as comunidades.

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