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Para a direita brasileira, que defende sequestro de Maduro os fins justificam os meios, avalia cientista política

Para a direita brasileira, que defende sequestro de Maduro os fins justificam os meios, avalia cientista política

Para a direita brasileira, que defende sequestro de Maduro os fins justificam os meios, avalia cientista política

Enquanto lideranças políticas progressistas condenaram a atuação do governo de Donald Trump no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro no último sábado (3), a direita brasileira teve postura distinta. Figuras como os pretensos presidenciáveis Ratinho Junior (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) celebraram a ação. A cientista política Priscila Lapa afirma que a postura não surpreende.

Lapa participou, nesta segunda-feira (5), da segunda edição do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, e lembrou que outros episódios nos últimos tempos já renderam posições semelhantes. Muda o cenário, mas a forma de atuação é a mesma.

“No Brasil, nos últimos anos, a gente viu isso no 8 de janeiro, não é novidade: pessoas entendendo que os fins justificam os meios. Para a extrema direita, as lideranças, e a opinião pública vinculada a essa corrente ideológica, é plenamente justificável: o que estava em jogo era algo maior. Esse discurso de que o fim justifica os meios já está normalizado”, apontou.

O ataque estadunidense a Maduro, na prática, inaugurou o ano eleitoral no Brasil. A Venezuela já era, há anos, um tema recorrente nas discussões políticas no país, e isso tende a ser ainda mais presente até outubro, quando será eleito o presidente, governadores, senadores e deputados para os próximos quatro anos.

“Essa questão da Venezuela reacendeu, desde o fim de semana, essa questão da polarização política, essas narrativas políticas que já vêm demarcando fortemente a opinião pública brasileira, e isso vai ser um combustível muito forte, até porque essa não é uma crise que tende a se resolver de forma imediata”, destacou Lapa.

Para a cientista política, a postura do governo brasileiro, que condenou o sequestro, foi coerente. Ela lembrou que Lula se juntou a outros líderes internacionais que cobraram de Maduro transparência no processo eleitoral venezuelano em 2024, mas não defendeu interferência externa no país vizinho. Desta vez, o discurso seguiu o mesmo caminho. Além disso, a posição de defesa da soberania foi a mesma adotada quando o Brasil foi alvo da ira de Trump.

“Esse discurso da soberania, inclusive, foi o que reposicionou o governo brasileiro, o presidente Lula, com a opinião pública, na crise do tarifaço com o Trump. Para alguns parecia uma aposta meio intangível, falar de soberania, mas foi esse discurso que resgatou a popularidade do presidente e abriu possibilidade de negociação com menos desvantagens para o Brasil”, apontou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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