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Ranking podre – Semanário ZN

Ranking podre – Semanário ZN

Ranking podre – Semanário ZN

Destacar-se entre os mais competentes é motivo de honra. Subir ao pódio é motivo de orgulho. No entanto, figurar na lista dos mais corruptos é repugnante. Infelizmente, é onde nos encontramos atualmente: ocupando o 107º lugar no Índice de Percepção da Corrupção, em uma lista de 821 nações, com 35 pontos em uma escala de zero a 100. Ficamos abaixo da média global e das Américas, que possuem 42 pontos. Essa avaliação é baseada em 13 indicadores e, de acordo com a Transparência Internacional, estamos nessa posição devido a casos de corrupção em grande escala, impunidade generalizada e condutas desmoralizantes por parte de magistrados. A situação é lamentável, mas já sabíamos que éramos náufragos sem bóias em um mar de corrupção.

Como bradava Hamlet, o príncipe dinamarquês, “há algo de podre no reino”. Entre nós, os problemas envolvem instituições corrompidas, desmoralização, falta de confiança, infiltrações criminosas, impunidade e descalabros intermináveis. Um cenário desolador. Mas a quem pedir socorro?

Como Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, afirmou: “quando os homens são éticos, as leis são desnecessárias”. Por outro lado, “quando são corruptos, as leis se tornam inúteis”. Estamos diante de um crime cada vez mais estruturado, enquanto as autoridades insistem em focar apenas em mudanças legislativas. No entanto, percebemos que as leis não são aplicadas igualmente a todos, como é evidente em todos os lugares.

A corrupção pode se manifestar de diversas formas: ativa ou passiva, corruptor e corrompido, propina, suborno, tráfico de influência, peculato. Segundo Santo Agostinho, a palavra corrupção vem de “cor” (coração) e “ruptus” (rompido). Ou seja, os figurinos bem desenhados servem a muitos que os vestem com elegância. A corrupção é sistêmica e endêmica, gerando falta de transparência, suborno, extorsão, desfalque, fisiologismo e nepotismo. Ela afeta a economia com evasão fiscal e lavagem de dinheiro sujo, minando a confiança pública e distorcendo a justiça.

Ao ler essas reflexões, percebe-se que a crítica se aplica a diversas esferas, inclusive a ocupantes de cargos elevados, inclusive nos poderes constituídos, não de acordo com Montesquieu, mas movidos por interesses vergonhosos e desavergonhados, até mesmo por agentes que deveriam ser exemplos de conduta, não de lamentação.

O vergonhoso ranking mundial nos constrange, evidenciando a necessidade de agir contra os desvios morais que são exibidos de forma ultrajante por indivíduos sem caráter.

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