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Diário de mediador revela reviravolta em conversas entre EUA e Irã

Diário de mediador revela reviravolta em conversas entre EUA e Irã

Diário de mediador revela reviravolta em conversas entre EUA e Irã

As observações nas redes sociais do mediador das negociações entre os Estados Unidos e o Irã indicam que, em um intervalo de 48 horas, as discussões sobre o programa nuclear iraniano sofreram uma reviravolta dramática, culminando em ações militares e um grande número de vítimas fatais.

O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel a cidades no Irã neste sábado (28) ocorreu durante as reuniões entre representantes do presidente americano, Donald Trump, e do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Por anos, os países têm debatido sobre os limites do programa nuclear iraniano. Enquanto o Irã alega fins pacíficos, os Estados Unidos e alguns aliados, especialmente Israel, suspeitam de intenções militares.

Acordos

Em 2015, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, do Partido Democrata, assinou um acordo com os iranianos, que concordaram em restringir o enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções econômicas.

O nível de enriquecimento de urânio pode indicar se um programa nuclear é pacífico ou não.

Donald Trump, do Partido Republicano e opositor de Obama, assumiu a presidência em 2017 e, no segundo ano de seu mandato, em 2018, retirou os Estados Unidos do acordo com o Irã.

No entanto, em 2025, primeiro ano de seu segundo mandato, Donald Trump demonstrou interesse em negociar um novo acordo com o Irã.

Sob pressão e ameaças de conflito armado, o país do Oriente Médio retornou à mesa de negociações, com a mediação do ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi.

Omã é uma nação localizada ao sul do Irã, separada pelo Golfo de Omã, e abriga a Península de Musandam, um enclave que controla o estreito de Ormuz.

Após os ataques dos EUA, o Estreito de Ormuz ganhou destaque na indústria do petróleo, pois cerca de 20% da produção mundial passa por lá.

Há temor de que o Irã bloqueie o estreito, o que poderia resultar em um aumento significativo no preço do petróleo no mercado internacional.

Por meio de seu perfil no X (antigo Twitter), Badr AlBusaidi destacou que em apenas 48 horas a esperança de paz deu lugar à “consternação”.

Cronologia dos eventos:

22 de fevereiro:

O mediador expressou satisfação ao confirmar que uma nova rodada de diálogo entre os dois países aconteceria em Genebra, Suíça, na quinta-feira (26), com um otimismo de alcançar um acordo final.

26 de fevereiro:

O ministro de Omã declarou que as negociações do dia haviam avançado significativamente e que os negociadores retornariam a seus países para consultas adicionais.

“Conversas técnicas ocorrerão na próxima semana em Viena”, comunicou.

27 de fevereiro:

Badr Albusaidi compartilhou uma foto de uma reunião com o vice-presidente americano, J.D. Vance, e mencionou que ambos discutiram os detalhes das negociações em andamento e os progressos feitos até então.

“Agradeço pelo envolvimento deles e espero avanços adicionais nos próximos dias. A paz está próxima”, concluiu.

No mesmo dia, o mediador divulgou um vídeo de uma entrevista concedida à rede de TV americana CBS News. Segundo ele, a entrevista foi para esclarecer que um acordo era viável.

“Sem armas nucleares. Nunca. Estoques zerados. Verificação total. De maneira pacífica e permanente. Apoiamos os negociadores para concluir o acordo”, afirmou.

28 de fevereiro:

Neste sábado, apenas dois dias após mencionar um “progresso significativo” nas negociações e um dia após afirmar que a paz estava “ao alcance”, o mediador expressou estar “consternado”.

“As negociações sérias e ativas foram mais uma vez prejudicadas. Isso não atende aos interesses dos Estados Unidos nem contribui para a paz global”, declarou.

Badr Albusaidi também expressou sua preocupação com as vítimas inocentes que sofreriam. “Peço aos Estados Unidos que não se envolvam ainda mais. Esta não é a guerra deles”, apelou.

Mortes

De acordo com o Crescente Vermelho, organização humanitária que atua no Oriente Médio, os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel ao Irã resultaram em pelo menos 201 mortes e 747 feridos. Em uma escola para meninas no sul do país, pelo menos 85 alunas perderam a vida durante o bombardeio.

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