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o que significa o apelido do comparsa de Vorcaro

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O termo assassino atravessou dois milênios para chegar aos registros da Petição 15.556, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, por decisão do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça descreve Luiz Phillipi Mourão como o “assassino” do banqueiro. Líder de uma estrutura chamada “A Turma”, Mourão recebia R$ 1 milhão mensais para monitorar oponentes, ameaçar jornalistas e obter informações confidenciais de órgãos públicos, incluindo os sistemas da Interpol e do FBI.

Como o assassino atuava

O termo assassino deriva do latim sicarius — de sica — uma espécie de adaga curva, pequena o bastante para ser escondida sob uma túnica. Em 81 a.C., o ditador romano Sula promulgou a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis, que punia os assassinos contratados. No entanto, foi no século I d.C., na Judeia, sob domínio romano, que os sicarii se organizaram como um movimento. Eles eram extremistas judeus que se misturavam às multidões durante festividades em Jerusalém e atacavam alvos selecionados.

Historicamente, o termo assassino evoca a ideia de um instrumento a serviço de um poder superior — alguém que age nas sombras para manter o centro intocado. A Lex Cornelia, promulgada há mais de dois mil anos, reconhecia que o problema não era apenas o assassino: era a estrutura que o contratava. Por isso, punia tanto o portador da adaga quanto quem encomendava o crime.

No caso da Operação Compliance Zero, a investigação descobriu uma suposta organização criminosa com quatro núcleos: financeiro (fraudes), corrupção institucional (cooptação de servidores do Banco Central), ocultação patrimonial (lavagem de dinheiro) e intimidação (obstrução da justiça) — este último era representado pelo grupo de WhatsApp “A Turma”.

Em ambos os casos, tanto nos sicarii de Jerusalém quanto na “Turma” de Vorcaro, a violência é um instrumento de atuação. Os sicarii matavam para evitar que a colaboração com Roma se tornasse comum. Já “A Turma” planejava, de acordo com a investigação da PF, intimidar jornalistas e funcionários. Os sicarii atuavam em uma sociedade sem imprensa livre, sem Polícia Federal, enquanto Mourão opera em um Estado democrático com instituições encarregadas de investigar crimes.

A estrutura funcionava como uma espécie de segurança privada. Enquanto Vorcaro angariava recursos e organizava fraudes financeiras, “A Turma” assegurava que ninguém denunciasse, investigasse ou revelasse algo.

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